Carreira, Coaching

Planeje seus objetivos a partir de seu propósito

Num mundo onde as mudanças são muito rápidas e tudo é incerto, a forma como planejávamos nossas vidas ou carreiras até alguns anos atrás fica cada vez mais distante. Cabe-nos muita agilidade na resposta às demandas imediatas e foco nas ações de mais longo prazo, exigindo que conheçamos nosso propósito de vida, as competências com que lidamos naturalmente e aquelas que precisam ser desenvolvidas.

Quando for planejar objetivos e metas profissionais, seja para si ou sua empresa, parta de seu propósito, algo individual, personalizado, único, exclusivo e que defina a sua visão sobre o futuro. Observe tendências, pesquise modelos que estejam sendo desenvolvidos no mundo e planeje com base naquilo que se apresenta como possibilidade concreta de realização e que se vincule aos seus sonhos. Muitas vezes, planejamos com base na nossa própria experiência de sucesso, mas, atualmente, o que o trouxe até aqui não necessariamente servirá para levá-lo adiante. Desafie-se continuamente e permita que todos de sua equipe descubram seus propósitos e que os alinhem com o de seu negócio. Ao facilitar essa conexão, você se tornará um líder melhor e coordenará uma equipe mais produtiva. Compreenda a importância da felicidade no trabalho como uma efetiva ferramenta de aumento de desempenho.

Caso precise desenvolver alguma competência requerida para realizar seus planos, saiba que há profissionais que buscam estimular o seu desenvolvimento e que o apoiarão durante a elaboração de estratégias e planos de ações. São os coaches, que conduzem processos de autoconhecimento e planejamento estratégico pessoal, denominados coaching.

O processo de coaching é sempre desafiador para quem o realiza, pois o coach irá questionar o cliente sobre inúmeros temas. Questões como “o que você quer para a sua vida?”, “o que você sempre sonhou em fazer e ainda não fez?”, “o que será necessário para atingir seus objetivos?” fazem parte do processo, que buscará desenvolver no cliente os recursos internos requeridos para o sucesso de seus planos.

Isso faz com que o processo de coaching seja para poucos. Somente quem deseja, efetivamente, transformar a forma de se relacionar com desafios, necessidades e desejos saberá valorizar e usufruir dos insights percebidos ao longo do processo e que, certamente, transformarão sua vida e seu caminho.

E você, sente-se em condições de desenvolver seu propósito, planejar seu futuro profissional e realizar seus objetivos?

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Você está preparado para viver em um mundo VUCA?

Vivemos um tempo de desafios extremos, tanto para profissionais liberais quanto para pequenas e médias empresas e corporações. Segundo especialistas em gestão, vivemos num “mundo VUCA”, uma expressão que nasceu durante a guerra fria, mas que está cada vez mais presente no vocabulário dos profissionais e dos empreendedores da nova economia.

VUCA é um acrônimo do inglês Volatile, Uncertain, Complex e Ambiguous e serve para descrever quatro características que estão presentes atualmente na vida de todos: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

O principal impacto destas caraterísticas pode ser percebido na dificuldade de realizar qualquer planejamento de longo prazo. Entende-se que no mundo VUCA seja mais prudente ter agilidade na resposta às demandas imediatas do ambiente e nas ações de curto prazo do que projetar cenários longos e complexos.

Tal situação, contudo, afeta diretamente a nossa relação com as necessidades básicas dos seres humanos, como reconhecimento, segurança ou estabilidade. Por esta razão, é cada vez mais importante termos clareza do nosso propósito, da missão de nosso negócio e da identificação dos resultados buscados, mitigando o impacto da volatilidade que está ao nosso redor.

O mesmo vale para a incerteza, pois a forma de resolver os problemas de hoje talvez não sirva para compreender e resolver os problemas em um futuro próximo.

Perceber a interdependência das coisas e considerar a complexidade das variáveis presentes na tomada de decisão fogem dos modelos de gestão de riscos tradicionalmente utilizados em processos corporativos e atitudes individuais. Como consequência, é improvável que ações isoladas tenham algum efeito em um sistema interconectado.

A ambiguidade está presente na ausência de clareza ao se analisar contextos complexos. Experiências anteriores não garantem que a solução para um problema sirva em um novo cenário, uma vez que este pode propiciar diversas interpretações cabíveis.

Desenvolver habilidades específicas será um caminho de empoderamento que viabilizará melhores ações de contorno no mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo.

Uma vez que as mudanças são inevitáveis, a inteligência emocional, a autoestima e a resiliência são essenciais para lidar com a volatilidade e com as adaptações requeridas na transformação do cenário.

Para lidar com as incertezas, a flexibilidade é o caminho para a adaptação constante à realidade que se transforma. A impossibilidade de certezas sobre qual caminho seguir sugere que tenhamos a mente aberta para o desenvolvimento da criatividade e da capacidade de resolução de problemas complexos.

No caso da complexidade do mundo, competências como teamworking, pensamento crítico e flexibilidade cognitiva são as ferramentas que permitirão ampliar a visão sobre o contexto, permitindo a elaboração de soluções mais aderentes às necessidades.

A ambiguidade requer que tenhamos uma grande habilidade de negociação, tanto interiormente quanto com os participantes da situação, pois o caminho a seguir não será necessariamente similar às decisões sustentadas no passado. Aprender com os erros e analisar a situação por outra perspectiva requer uma postura firme e disposta a assumir novos riscos.

Enfim, no mundo VUCA, é fundamental que se tenha ousadia. Pois é sendo ousado que poderemos analisar os problemas em potencial e suas variáveis, entenderemos as consequências de cada problema e as possíveis ações requeridas, avaliaremos a interdependência das variáveis identificadas e nos prepararemos para as alternativas e seus desafios.

 

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Entrevista de emprego: como sair de situações complicadas com elegância

É muito comum ouvirmos especialistas indicando como um candidato deve se comportar na hora de uma entrevista de emprego. Geralmente são as mesmas recomendações: ir vestido de forma adequada à vaga pleiteada, ser educado, risonho, simpático. Para as mulheres, sempre falam para não exagerar na maquiagem e não extrapolar no uso do perfume, o que vale também para os homens.

Mas e como sair daquelas perguntas muito comuns sem cair no clichê ou obviedade? Exemplo? A clássica: qual seu ponto fraco? A maioria das pessoas costuma falar que é ser perfeccionista.

Então, como responder sem queimar a largada, sem cair no óbvio e sem parecer que está provocando o entrevistador? “Poderia falar, de forma elegante, que seria melhor perguntar aos seus amigos, que o conhecem melhor. Outra possibilidade é falar, por exemplo: pontualidade. Inverter os papeis e perguntar: ‘para o posto que vou ocupar, não ser pontual é algo grave?’”, aconselha o executive coach Edson de Moraes, formado pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF – International Coach Federation e sócio do Espaço Meio.

Porém, é só entrarmos em grupos de profissionais no Facebook para nos depararmos com desabafos de pessoas que passaram por situações constrangedoras. Um exemplo: uma moça que tem a certeza de que não foi contratada por ter dito que tem uma doença psiquiátrica. Nesses casos, vale a pena se abrir?

Moraes aconselha a ser sincero, mas a responder o que for questionado e a não falar voluntariamente. “O que interessa a essa pessoa perguntar sobre isso, se você estiver se medicando, se tratando? Porém, se perguntarem, responda a verdade. Exemplos: ‘Sim, tenho uma doença psiquiátrica, mas eu tomo remédio, faço terapia e estou bem’; ‘Fui contaminado pelo vírus HIV, faço tratamento e isso não me impede de ter uma vida normal’.

O especialista aconselha a não levantar bandeira sobre o problema, mas não omitir. Ou seja, de novo, responda o que for questionado. Porém, ele lança uma questão: “Se fizerem esse tipo de pergunta, sobre saúde, gênero, política, situação financeira e temas afins, acredito que valha a pena você também se questionar se gostaria de trabalhar em uma empresa assim”.

Dizer não

Outra situação: uma pessoa se candidata a uma vaga, mas o contratante fica sob sigilo. Só na última fase do processo de seleção, após testes e entrevistas, fica sabendo que se trata de uma empresa de tabaco, da indústria bélica, ou é um frigorífico ou confecção que utiliza pele animal. E pelas suas crenças e valores, após a descoberta, precisa dizer que não tem interesse na vaga. Como sair bem dessa situação?

Moraes diz que na cultura ocidental as pessoas vão ao processo de seleção e veem o entrevistador como alguém que está lhe fazendo um favor, não como se essa relação fosse uma troca. No caso acima, é cabível comentar com o recrutador que você não foi informado sobre o ramo de atuação do contratante. O que também pode ser feito é você se adiantar quando o nome da empresa não for dito. Comente as suas restrições. Assim, nenhum dos lados perderá tempo.

“As pessoas não têm coragem de falar não, pois se sentem rejeitadas. Elas sempre esperam por alguma recompensa. Outros pensam que falar não é uma barreira que fechará portas. Porém, é preciso lembrar que se trata de um contrato de trabalho e que ele não será eterno. Assim, voltamos ao que é realmente  importante, seus valores e crenças, isso vai determinar tudo”, finaliza Moraes.

 

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Meditação não dá trabalho

Muitos procuram no coaching uma forma de reorganização interna para atingir algum objetivo, seja pessoal, profissional, financeiro ou tudo isto junto! Procuro explicar que o papel do coach é ajudar o cliente a montar uma estratégia para organizar os planos, identificar as competências necessárias para o sucesso no atingimento de objetivos e acompanhar a execução das atividades identificadas no plano. Mas o que vale mesmo é a pessoa executar essa estratégia com diligência e foco, seguindo, no presente, os passos necessários para atingir os objetivos desejados para o futuro.

Para que tais ações sejam realizadas, é fundamental que a pessoa esteja atenta a si própria, percebendo quais desejos e necessidades devem ser atendidos e validando se suas ações estão coerentes com aquilo que se quer atingir.

Muitas vezes, ao discutir tais aspectos de seu programa de coaching, as pessoas perguntam como manter o foco, uma vez que a vida requer múltiplas ações realizadas quase que simultâneas.

A alternativa prática que recomendo para colaborar com a execução de seus planos é a meditação. Apesar de budista, não recomendo nada metafísico ou associado a uma religião. Como descrito por Facundo Guerra, que se define como “um agnóstico do tipo arrogante” no livro “Empreendedorismo Para Subversivos”, “simplesmente baixe um aplicativo de meditação no seu celular, use um de seus tutoriais e pare por dez, quinze minutos por dia para entrar verdadeiramente dentro de si.” Se até um cético assumido recomenda esta prática, vejo que o caminho pode ser percorrido com tranquilidade por qualquer pessoa, independentemente de sua crença. Basta identificar o método mais adequado ao estilo da pessoa.

Deve-se tratar a prática da meditação como uma ferramenta poderosa para se compreender melhor, amenizar a ansiedade de quem está procurando emprego ou dar forças a quem está trabalhando, mas sobrecarregado e infeliz com sua atividade.

A meditação permite viver um estado de consciência sobre si como nenhuma outra técnica ou tratamento permitirá. Pode parecer estranho no início, mas a persistência na prática diminui a ansiedade, melhora a depressão e o sono, controla a pressão arterial e diminui os batimentos cardíacos. Tudo isto cientificamente provado por diversas pesquisas, trabalhos acadêmicos e relatos de meditadores frequentes.

O equilíbrio percebido por meio da prática favorecerá a compreensão sobre como agimos, reagimos e enfrentamos as questões que nos trazem satisfação ou sofrimento, viabilizando a estruturação de mudanças internas, as quais nos levarão a buscar transformações no nosso ambiente externo, além de permitir que nos centremos nas atividades cotidianas e na execução de nossos projetos. O resultado é mais foco e alta performance na realização das tarefas e atividades requeridas para execução de planos.

Antes que alguém fale que não consegue “esvaziar a mente”, devo dizer que isto é uma bobagem. Não há como esvaziar a mente, a não ser que a pessoa esteja em morte cerebral. Aí o caso já é outro. Meditar é observar os pensamentos, sem julgamento ou seleção (isto quero, aquilo não quero). Como entre um pensamento e outro há um intervalo, ao perceber em atenção plena o que pensamos, também notamos que entre um pensamento e outro não há nada. A observação constante amplia este intervalo, fazendo com que surja, naturalmente o chamado vazio da mente, que dura até o próximo pensamento. Neste processo, a mente observa a mente. E isto nos faz conhecer alguém novo: nós mesmos.

Meditar não faz com que um chefe ou um cliente chato se torne uma boa pessoa, tampouco garante emprego nem substitui um bom curriculum ou amplia seu networking, mas ajuda imensamente a manter a percepção sobre si e seu foco. E, assim, com a ansiedade administrada, tanto a manutenção do emprego quanto a busca por um novo trabalho ficam facilitados. Com os pés no chão e um estado de consciência ampliado, a vida fica mais simples e mais objetiva. Com foco! Afinal, as coisas são como elas realmente são.

Experimente. Meditar não dá trabalho. Nem emprego. Mas ajuda a viver melhor.

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Você fez o que planejou em 2017?

Em geral os artigos nesta época de dezembro questionam e incentivam as pessoas a se prepararem para o novo ano. Sonhos, desejos, objetivos, planos e metas são traçados e mentalizados na virada do ano, junto das uvas com champanhe, romã, lentilha e as ondas que devem ser puladas nas primeiras horas de janeiro.

Proponho algo diferente para este momento. Que tal pegar aquela lista amassada na terceira gaveta da mesa, a planilha que foi arquivada pela última vez em 2 de janeiro de 2017 ou mesmo a listinha de desejos que está no seu arquivo de notas do celular? Vamos ver o que foi efetivamente realizado no ano que se conclui?

Caso tenha encontrado o registro de atividades, o que já é uma vitória, observe item a item e responda a si mesmo o quanto conseguiu cumprir. Mesmo que não a tenha encontrado, tente se lembrar das famosas promessas de ano novo. Quanto foi realizado? 10%, 40% ou 70%? A meta de eliminar cinco quilos aconteceu? O desejo de investir para aquela viagem chegou a bom termo? Começou aquele curso? Enfim, observe tudo que ocorreu no ano. Sem dúvida, há inúmeras coisas que você alcançou, mesmo que não estivessem em sua lista de resoluções para o ano novo que se iniciou há doze meses. Seguir adiante é parte da vida e seguramente há inúmeras conquistas a se registrar. Algumas aparentemente pequenas, mas que trouxeram muito prazer. Outras maiores, mas sem sentido neste momento.

Agora, se seus objetivos continuaram pendentes e serão encaminhados para planilha de objetivos de 2018, há algo a refletir. Procrastinar os sonhos pode ser um sinal de que há algum sabotador no seu caminho. E mais perto do que se possa imaginar. Afinal, na maioria das vezes, nós mesmo somos nossos sabotadores. Sabe aquela história de “não nasci com esse dom”, “nunca consigo finalizar nada”, “acho que me falta sorte”, “não sou a pessoa certa para planejar os objetivos”? Enfim, na maioria das vezes, somos os responsáveis pelos desejos que não se realizam. Claro que ninguém começa o dia desejando deixar os objetivos de lado, desperdiçando energia e desdenhando alguma motivação para realizar seus planos. Mas, infelizmente, a nossa mente nem sempre segue o que gostaríamos de realizar. Mesmo sabendo que é difícil mudar hábitos, pesquise como muda-los.

Charles Duhigg, autor do livro “O Poder do Hábito”, diz que a mudança de um simples hábito pode impactar várias áreas da sua vida. Para o autor, os hábitos se estabelecem porque o cérebro está continuamente procurando maneiras de poupar esforço. Um hábito é uma escolha que fizemos deliberadamente em algum momento e depois paramos de pensar a respeito, porém continuamos repetindo-a, às vezes diariamente. Basicamente, o hábito funciona de forma automática, como se fosse um moto-contínuo em busca de uma recompensa.

A rotina faz com que um hábito se estabeleça e será através dela que outro hábito poderá ser colocado no lugar. Sim, isto é possível. Basta conversar com algum adicto que venceu o vício através da mudança de hábito. Quem largou o cigarro após fumar por muitos anos sabe o quanto o hábito dificulta o processo, tanto quanto a dependência química. Aliás, é justamente mudando o hábito que começamos a abandonar o vício.

Para se ver livre de um hábito, é fundamental querer mudá-lo. Deve-se identificar quais recompensas buscamos com o hábito estabelecido e identificar alternativas viáveis para tais recompensas. E estabelecer novos hábitos com novas recompensas, mais conscientes e relacionadas com os nossos objetivos.

Muitas mudanças levam tempo e, às vezes, exigem tentativas e fracassos. Mas, uma vez que se compreende como um hábito funciona, ganha-se poder sobre ele.

Voltando aos objetivos para 2018, recente pesquisa do Datafolha demonstra que o brasileiro é imediatista e possui baixíssima tendência às ações sobre seu futuro. Apesar da pesquisa estar relacionada à capacidade de poupança, indicando uma resistência das pessoas a abrir mão de consumo no presente em troca de poupar e elevar recursos no futuro, o estudo revela que a paciência do brasileiro é baixíssima e que há um imediatismo exacerbado presente na nossa cultura.

Fica a questão: – vale a pena fazer planos, se somos imediatistas e nos rendemos a hábitos arraigados? Pense nisto antes de fazer a próxima lista de desejos. Mas, caso a faça, busque ajuda caso sinta que estes aspectos impactam sua capacidade de execução. Como diz Fernando Pessoa, “há só um caminho para a vida, que é a vida”. Então escolha como quer viver…

 

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Previdência requer autonomia e educação

Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 3 de novembro de 2017: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/11/1932479-previdencia-requer-autonomia-e-educacao.shtml

A discussão sobre a reforma da previdência parte de premissas incompletas e que fazem com que o projeto em tramitação no Congresso, uma vez aprovado, tenha data de validade vencida.

O argumento sobre “a conta que não fecha” encontra razões facilmente mapeadas pelo IBGE, que projeta um crescimento até 2030 de 6,9% da população em idade ativa e de 70,6% dos cidadãos acima de 65 anos, provavelmente aposentados e com expectativa de vida acima de 75 anos.

O índice de desemprego, de cerca de 13,0%, deverá se manter por algum tempo, pois as empresas se ajustaram para trabalhar com um contingente reduzido de trabalhadores. Custa caro contratar e mais ainda demitir.

Outro aspecto delicado é que não há garantia alguma de que pessoas de 50 anos encontrem emprego e contribuam por mais quinze anos. As empresas não declaram, mas sabemos que há preconceito na contratação de pessoas acima de 50 anos.

Contudo, as pessoas a favor ou contra a reforma esquecem-se, inocente ou propositalmente, de um aspecto que tornará os números ainda mais cruéis. A produção industrial e os serviços estão sendo transformados pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial, aumentando a produção na mesma intensidade da redução do emprego para as pessoas em idade ativa, afetando todas as idades.

Precisamos nos preparar para trabalhar ao lado de sistemas, robôs e chatbots, não somente em atividades com mão de obra intensiva e rotinas repetitivas, mas em uma ampla gama de atividades ligadas aos serviços, tais como rotinas de advogados, médicos e professores. Profissões inimagináveis hoje serão criadas e a relação com o trabalho será transformada.

A saída para a previdência deverá passar por uma reforma tributária ampla, na qual a tecnologia que substituirá a mão de obra deverá colaborar na manutenção de pessoas sem empregos. O governo deverá administrar políticas públicas que garantam um programa de renda mínima para a população e o modelo atual de previdência pública deverá ser adaptado a um sistema misto e opcional.

Para prepararmos as próximas gerações, a escola precisará educar os jovens em temas como gestão financeira e empreendedorismo. Em um mundo com carência de empregos, a geração de renda poderá ser realizada por outros caminhos além da carteira assinada. As pessoas precisarão aprender a gerir seus recursos de forma independente, em uma atitude madura e responsável, cuidando cada um de sua própria previdência e se desvinculando dessa relação de dependência do governo. O mesmo vale para quem está no meio do caminho, independentemente da idade.

Outro caminho implicará na identificação de critérios que definam quem receberá ou não aposentadoria. A renda e o patrimônio das pessoas determinarão o quanto caberá a cada um. Quem tem mais receberá menos.

Ao final, para alguns não haverá nada a receber, pois não precisarão ou não terão feito essa opção. Para muitos a gestão pública da previdência será parte de toda a vida. Como garantir isso?

 

 

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