Carreira, Coaching, Planejamento

Você fez o que planejou em 2017?

Em geral os artigos nesta época de dezembro questionam e incentivam as pessoas a se prepararem para o novo ano. Sonhos, desejos, objetivos, planos e metas são traçados e mentalizados na virada do ano, junto das uvas com champanhe, romã, lentilha e as ondas que devem ser puladas nas primeiras horas de janeiro.

Proponho algo diferente para este momento. Que tal pegar aquela lista amassada na terceira gaveta da mesa, a planilha que foi arquivada pela última vez em 2 de janeiro de 2017 ou mesmo a listinha de desejos que está no seu arquivo de notas do celular? Vamos ver o que foi efetivamente realizado no ano que se conclui?

Caso tenha encontrado o registro de atividades, o que já é uma vitória, observe item a item e responda a si mesmo o quanto conseguiu cumprir. Mesmo que não a tenha encontrado, tente se lembrar das famosas promessas de ano novo. Quanto foi realizado? 10%, 40% ou 70%? A meta de eliminar cinco quilos aconteceu? O desejo de investir para aquela viagem chegou a bom termo? Começou aquele curso? Enfim, observe tudo que ocorreu no ano. Sem dúvida, há inúmeras coisas que você alcançou, mesmo que não estivessem em sua lista de resoluções para o ano novo que se iniciou há doze meses. Seguir adiante é parte da vida e seguramente há inúmeras conquistas a se registrar. Algumas aparentemente pequenas, mas que trouxeram muito prazer. Outras maiores, mas sem sentido neste momento.

Agora, se seus objetivos continuaram pendentes e serão encaminhados para planilha de objetivos de 2018, há algo a refletir. Procrastinar os sonhos pode ser um sinal de que há algum sabotador no seu caminho. E mais perto do que se possa imaginar. Afinal, na maioria das vezes, nós mesmo somos nossos sabotadores. Sabe aquela história de “não nasci com esse dom”, “nunca consigo finalizar nada”, “acho que me falta sorte”, “não sou a pessoa certa para planejar os objetivos”? Enfim, na maioria das vezes, somos os responsáveis pelos desejos que não se realizam. Claro que ninguém começa o dia desejando deixar os objetivos de lado, desperdiçando energia e desdenhando alguma motivação para realizar seus planos. Mas, infelizmente, a nossa mente nem sempre segue o que gostaríamos de realizar. Mesmo sabendo que é difícil mudar hábitos, pesquise como muda-los.

Charles Duhigg, autor do livro “O Poder do Hábito”, diz que a mudança de um simples hábito pode impactar várias áreas da sua vida. Para o autor, os hábitos se estabelecem porque o cérebro está continuamente procurando maneiras de poupar esforço. Um hábito é uma escolha que fizemos deliberadamente em algum momento e depois paramos de pensar a respeito, porém continuamos repetindo-a, às vezes diariamente. Basicamente, o hábito funciona de forma automática, como se fosse um moto-contínuo em busca de uma recompensa.

A rotina faz com que um hábito se estabeleça e será através dela que outro hábito poderá ser colocado no lugar. Sim, isto é possível. Basta conversar com algum adicto que venceu o vício através da mudança de hábito. Quem largou o cigarro após fumar por muitos anos sabe o quanto o hábito dificulta o processo, tanto quanto a dependência química. Aliás, é justamente mudando o hábito que começamos a abandonar o vício.

Para se ver livre de um hábito, é fundamental querer mudá-lo. Deve-se identificar quais recompensas buscamos com o hábito estabelecido e identificar alternativas viáveis para tais recompensas. E estabelecer novos hábitos com novas recompensas, mais conscientes e relacionadas com os nossos objetivos.

Muitas mudanças levam tempo e, às vezes, exigem tentativas e fracassos. Mas, uma vez que se compreende como um hábito funciona, ganha-se poder sobre ele.

Voltando aos objetivos para 2018, recente pesquisa do Datafolha demonstra que o brasileiro é imediatista e possui baixíssima tendência às ações sobre seu futuro. Apesar da pesquisa estar relacionada à capacidade de poupança, indicando uma resistência das pessoas a abrir mão de consumo no presente em troca de poupar e elevar recursos no futuro, o estudo revela que a paciência do brasileiro é baixíssima e que há um imediatismo exacerbado presente na nossa cultura.

Fica a questão: – vale a pena fazer planos, se somos imediatistas e nos rendemos a hábitos arraigados? Pense nisto antes de fazer a próxima lista de desejos. Mas, caso a faça, busque ajuda caso sinta que estes aspectos impactam sua capacidade de execução. Como diz Fernando Pessoa, “há só um caminho para a vida, que é a vida”. Então escolha como quer viver…

 

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Finanças Pessoais, Planejamento

Suas finanças e o 13º salário

Em geral, a chegada do final do ano traz angústia e preocupação aos empresários e alívio aos assalariados. De um lado, as despesas com o pagamento de décimo terceiro, férias – pior se forem coletivas –, e a perspectiva de redução nas vendas nos primeiros meses do ano seguinte preocupam os primeiros assim como a receita extra agrada aos segundos.

Em ambos os casos, a solução está no planejamento financeiro. No caso das empresas, a criação de uma provisão efetiva ao longo do ano, além daquela efetuada na contabilidade, garante que o fluxo de caixa não seja afetado com as despesas adicionais do final do exercício fiscal, resolvendo qualquer desequilíbrio de caixa. Uma consultoria especializada pode ajudar a equalizar esta questão e resolver o problema da gestão financeira, principalmente em empresas com produtos ou serviços que sofrem com a sazonalidade, em que as despesas certamente seguirão implacáveis e ocorrerão todos os meses, mas as receitas, nem sempre.

No caso dos assalariados, receber o décimo terceiro salário e as férias pode se tornar um evento com sentimentos ambivalentes no tempo. Inicialmente, um alívio, tanto para aqueles que têm dívidas acumuladas e podem usar a receita extra para quitá-las, quanto para os que não as têm, casos raros atualmente. Num segundo momento, pode ser uma angústia. Explico.

O risco está em utilizar inadequadamente a renda adicional e perceber, durante o período de festas ou de férias, que há mais tempo que dinheiro até o próximo crédito. Ao receber salário, décimo terceiro e férias em dezembro, o salário do mês seguinte só virá em meados de fevereiro, quase sessenta dias após ter recebido o líquido de férias. Aquela sensação boa de ter recebido muito dinheiro de uma vez será substituída pela angústia de perceber que o tempo é mais longo que as necessidades. Muitas vezes, é neste momento que novas dívidas se iniciam, com a resolução ocorrendo somente no final do ano, repetindo-se o ciclo aparentemente infindável de angústia e juros.

O segredo, qualquer que seja a sua situação, é pensar num prazo mais longo. Comece identificando todas as despesas que terá até que o próximo crédito de salário ocorra e reserve o valor necessário para quitá-las. A partir daí, pense em como gastar o que sobrar, caso sobre. Caso ainda falte, procure divertir-se em casa, com amigos próximos e em programas alternativos ou gratuitos. Use a criatividade. Geralmente é mais barato.

Pensando um pouco mais longe, para se ter muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender no ano que vai nascer, procure se organizar a partir de agora. Conheça, estime e acompanhe periodicamente suas receitas e despesas. Isto é essencial para qualquer planejamento, seja para a gestão financeira do dia a dia ou para atingir objetivos de médio ou longo prazos, como sair em viagem, permitir que você ou algum filho ou filha curse uma boa universidade, no Brasil ou no exterior, ou comprar um imóvel.

Deixar que receitas e, principalmente, despesas sigam sem acompanhamento e controle faz com que a perspectiva de um futuro financeiro fique à mercê da sorte. Conhecer e gerir sua vida financeira certamente permitirá ajustes ao longo do período e garantirá a geração de reserva para atingir seus planos.

Aliás, o planejamento financeiro só faz sentido se houver objetivos a se buscar. Trace metas que sejam significativas e as transforme em números para que os seus resultados sejam possíveis de mensuração e acompanhamento. Uma vez que dinheiro é um meio e não um fim, se não tivermos objetivos, para que teremos uma poupança? Será que a ausência de desejos realizáveis faz com que se poupe tão pouco neste país?

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Carreira, Finanças Pessoais, Planejamento

Previdência requer autonomia e educação

Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 3 de novembro de 2017: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/11/1932479-previdencia-requer-autonomia-e-educacao.shtml

A discussão sobre a reforma da previdência parte de premissas incompletas e que fazem com que o projeto em tramitação no Congresso, uma vez aprovado, tenha data de validade vencida.

O argumento sobre “a conta que não fecha” encontra razões facilmente mapeadas pelo IBGE, que projeta um crescimento até 2030 de 6,9% da população em idade ativa e de 70,6% dos cidadãos acima de 65 anos, provavelmente aposentados e com expectativa de vida acima de 75 anos.

O índice de desemprego, de cerca de 13,0%, deverá se manter por algum tempo, pois as empresas se ajustaram para trabalhar com um contingente reduzido de trabalhadores. Custa caro contratar e mais ainda demitir.

Outro aspecto delicado é que não há garantia alguma de que pessoas de 50 anos encontrem emprego e contribuam por mais quinze anos. As empresas não declaram, mas sabemos que há preconceito na contratação de pessoas acima de 50 anos.

Contudo, as pessoas a favor ou contra a reforma esquecem-se, inocente ou propositalmente, de um aspecto que tornará os números ainda mais cruéis. A produção industrial e os serviços estão sendo transformados pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial, aumentando a produção na mesma intensidade da redução do emprego para as pessoas em idade ativa, afetando todas as idades.

Precisamos nos preparar para trabalhar ao lado de sistemas, robôs e chatbots, não somente em atividades com mão de obra intensiva e rotinas repetitivas, mas em uma ampla gama de atividades ligadas aos serviços, tais como rotinas de advogados, médicos e professores. Profissões inimagináveis hoje serão criadas e a relação com o trabalho será transformada.

A saída para a previdência deverá passar por uma reforma tributária ampla, na qual a tecnologia que substituirá a mão de obra deverá colaborar na manutenção de pessoas sem empregos. O governo deverá administrar políticas públicas que garantam um programa de renda mínima para a população e o modelo atual de previdência pública deverá ser adaptado a um sistema misto e opcional.

Para prepararmos as próximas gerações, a escola precisará educar os jovens em temas como gestão financeira e empreendedorismo. Em um mundo com carência de empregos, a geração de renda poderá ser realizada por outros caminhos além da carteira assinada. As pessoas precisarão aprender a gerir seus recursos de forma independente, em uma atitude madura e responsável, cuidando cada um de sua própria previdência e se desvinculando dessa relação de dependência do governo. O mesmo vale para quem está no meio do caminho, independentemente da idade.

Outro caminho implicará na identificação de critérios que definam quem receberá ou não aposentadoria. A renda e o patrimônio das pessoas determinarão o quanto caberá a cada um. Quem tem mais receberá menos.

Ao final, para alguns não haverá nada a receber, pois não precisarão ou não terão feito essa opção. Para muitos a gestão pública da previdência será parte de toda a vida. Como garantir isso?

 

 

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Saiba ler o futuro que alguns estão escrevendo agora

As principais consultorias globais do mercado produzem, periodicamente, relatórios nos quais profetizam o futuro. São técnicos, analistas, acadêmicos e futuristas que se debruçam sobre os principais assuntos em discussão no mundo, as pesquisas em curso nas universidades e as necessidades da sociedade e, a partir dessas discussões, mapeiam as grandes tendências globais em diversos mercados e segmentos, arriscando seus palpites sobre o futuro no médio prazo. Dez anos, em média.

Em geral, esses relatórios acertam os seus prognósticos, reforçando o “dilema de Tostines”, no qual “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”?

No caso das previsões das consultorias, a correlação existente entre causa e efeito é muito forte, uma vez que é difícil saber ao certo o que é fato gerador e o que é consequência. Afinal, o futuro se concretiza porque houve uma previsão acertada realizada por visionários ou ele ocorreu por conta dos trabalhos de consultoria que recomendaram que se seguisse aquilo que havia sido previsto e estava descrito nos trabalhos? Nunca saberemos e pouco importa saber, mas é certo que escrever o futuro é sempre mais interessante do que ficar à mercê dos acontecimentos.

Para os próximos anos, as principais consultorias do mercado preveem, dentre diversas outras apostas, que:

  • A automação, a robótica e a inteligência artificial serão intensificadas, permitindo interações simples e inteligentes, resultando em valor em cada conexão executada e facilitando a interação de clientes com marcas na mesma velocidade em que diminuirão a capacidade de empregabilidade das pessoas. Prepare-se para trabalhar ao lado de sistemas, robôs, chatbots e outros equipamentos mimetizados;
  • Novos padrões e regras serão desenhados para funcionar em indústrias transformadas de acordo com as demandas da economia digital. O que isso significará, não se sabe. As regras ainda serão escritas;
  • As plataformas operacionais das empresas deverão ser substituídas por ecossistemas robustos baseados em trabalho de equipes muitas vezes contratadas e organizadas de acordo com as demandas. Será uma grande transformação no emprego, pois o vínculo de trabalho temporário e por competências se intensificará. Em outras palavras, prepare-se para trabalhar a partir de projetos de curta duração;
  • As pessoas deverão ser capacitadas para lidar com os ecossistemas na forma de parcerias. Não fará sentido a visão de cliente e fornecedor. As transformações nas relações internas deverão ser estendidas aos demais participantes externos. Ao ajudar as pessoas a alcançar seus objetivos, todos se ajudarão, mutuamente, a definir um lugar mais nobre na evolução da sociedade. A relação entre pessoas e os resultados, sejam financeiros ou sociais, serão mais expressivos. Portanto, amplie sua conexão com o mundo (literalmente), desenvolva um método de estudo continuado e prepare-se para, mesmo sendo um técnico, conectar-se a pessoas e seus ecossistemas;

Este panorama permite observar que tanto os profissionais de hoje quanto as gerações que se formarão nos próximos anos e que buscam empreender ou trabalhar no terceiro setor, no governo ou nas corporações, deverão se preparar para desenvolver habilidades de adaptação e aprendizado contínuos, inclusive a capacidade de pensar diferente. Os mais vividos se lembrarão do profeta Raul Seixas, em Metamorfose Ambulante: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Pois assim será o futuro, um lugar onde a mediocridade significará fazer o básico, pensar o mínimo e estar fora do mercado, qualquer que ele seja. Seja flexível e muito bom naquilo que se propuser a fazer.

Outro aspecto muito delicado será o crescimento da população nas grandes cidades, fato que deverá aumentar a concorrência por trabalho, ampliar o consumo de energia e água, complicar muito a mobilidade, aumentar a falta de segurança e gerar mais crises sociais, principalmente pela redução da classe média, afetada pela escalada da automação e pelo desemprego. O trabalho estará em qualquer lugar do mundo. Prepare-se para trabalhar anywhere e para concorrer com pessoas e máquinas de todas as partes do globo.

Estabelecer propósitos, desenvolver valores, manter-se atualizado, preparar-se para novas formas de pensar e abrir-se para maneiras não convencionais e flexíveis de desenvolvimento profissional serão o caminho para a inclusão e a manutenção da capacidade de trabalho em um futuro (muito) próximo. Trabalhar em algo que faça a diferença talvez faça mais sentido que desenvolver uma carreira.

Espero que este panorama não seja tão complicado como aparenta e que eu possa, no futuro, cantar: “Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes / Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”.

 

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Empreendedorismo, Planejamento

Empreendedores, preparem-se para crescer

Matéria publicada pela Revista Exame há algumas semanas, segue roteiro imperdível para quem deseja empreender. São dicas de dez livros que sintetizam muitas experiências, recomendações e regras fundamentais para quem planeja ter um negócio próprio. Os livros servem também para aqueles que pensam numa forma de crescer profissionalmente, independentemente da forma como a relação de trabalho se estabelece. Clique aqui e leia.

 

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