Contra etarismo no trabalho, idoso precisa de mente aberta e políticas públicas, diz especialista

Aftersix(ty) na mídia – Entrevista contida em matéria publicada na Folha de S.Paulo de 25 de fevereiro de 2024

Link: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/02/contra-etarismo-no-trabalho-idoso-precisa-de-mente-aberta-e-politicas-publicas-diz-especialista.shtml

“Quando você compra alguma coisa, você não compra com dinheiro, você compra com tempo de vida. Então como você está usando a sua vida?”

O questionamento vem de Edson Moraes, consultor de estratégias. Ele conversou com a repórter especial da Folha Teté Ribeiro para o segundo vídeo da série Como Ter Independência Financeira, que é publicado no YouTube neste domingo (25).

“Passar pela vida e não usufruir de algumas coisas só porque você está guardando muito dinheiro —e tem gente que tem essa característica— é tão cruel quanto você não guardar dinheiro ao longo da vida e chegar à velhice, olhar e falar: ‘Puxa, agora a coisa se complicou’”, diz Moraes.

Segundo ele, o brasileiro, culturalmente, pouco pensa em planejamento financeiro, que é visto “até com preconceito”.

Isso se torna ainda mais complexo tendo em vista o momento pelo qual a pirâmide etária brasileira passa.

A população está envelhecendo enquanto as taxas de natalidade diminuem cada vez mais. Isso cria novas demandas tanto para a Previdência Social quanto para o mercado de trabalho, que precisa passar a acolher mais idosos.

O Que Você Quer Ser Quando Envelhecer?*

A importância da gestão financeira, do tempo e da energia pessoal para um envelhecimento com qualidade

*Tomei este título emprestado da amiga Ana Ribeiro.

O processo de envelhecimento é inevitável e faz parte da jornada de todos nós. No entanto, a qualidade dessa fase da vida pode variar significativamente de pessoa para pessoa. Uma das chaves para envelhecer com uma melhor qualidade de vida está na preparação ao longo dos anos, não apenas no aspecto financeiro, mas também na gestão do tempo e na preservação da energia pessoal, temas já tratados neste blog (logo mais abaixo), mas que são essenciais para suportar um bom envelhecimento.

A gestão financeira ao longo da vida desempenha um papel crucial na determinação da qualidade do envelhecimento. Muitas pessoas subestimam a importância de economizar e investir durante os anos ativos, o que pode resultar em dificuldades financeiras ao envelhecer. Quando se trata do sustento, do desenvolvimento de projetos pessoais ou mesmo da preparação para emergências, ter uma reserva financeira sólida oferece tranquilidade, proporcionando a capacidade de enfrentar despesas médicas, manter um padrão de vida adequado e até mesmo realizar sonhos que foram adiados.

Para tanto, quanto mais cedo for possível pensar a respeito, mais fácil será o caminho. Deve-se criar um orçamento que seja seguido de forma disciplinada, estando também preparado para imprevistos, como oportunidades de negócios ou despesas inesperadas ao longo da vida.

Neste quesito, observar a carreira é fundamental. Como a maioria das pessoas necessitam trabalhar para seu sustento, refletir sobre a carreira e realizar mudanças e adequações ao longo da vida facilitam o processo de prazer com o trabalho, a gestão financeira e o planejamento para o futuro.

A gestão do tempo é outra dimensão essencial para envelhecer com qualidade de vida. Muitas pessoas subestimam a importância de priorizar o que realmente importa ao longo da vida e desperdiçam tempo precioso em atividades que não contribuem para o seu bem-estar a longo prazo. Envelhecer com qualidade significa aproveitar o tempo disponível para atividades que tragam satisfação pessoal, conexão com outras pessoas e contribuição para a comunidade.

Identificar prioridades e definir metas claras ajuda nesse processo, evitando desperdício de tempo em atividades sem significado. Procure cultivar relacionamentos interpessoais saudáveis e envolva-se em atividades voluntárias e de interesse pessoal que permitam a identificação de um propósito.

Por último, mas não menos importante, está a gestão da energia pessoal. Envelhecer com qualidade de vida requer um cuidado especial com a saúde física, mental e emocional. É fundamental adotar hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, exercícios regulares e práticas de relaxamento. Além disso, é crucial manter uma mente ativa, cultivar relacionamentos positivos e buscar apoio quando necessário.

Portanto, mantenha uma rotina de exercícios físicos e cuide da alimentação, cultive a espiritualidade e, se possível, medite. Priorize o sono adequado para a recuperação e o bem-estar e busque apoio emocional e mental quando necessário.

O processo de envelhecimento é uma jornada que pode ser enriquecedora e gratificante quando abordada com a devida atenção aos temas aqui apresentados. Ao se preparar ao longo da vida e cultivar hábitos saudáveis, você estará no caminho para envelhecer com dignidade, mantendo uma qualidade de vida que lhe permita realizar seus sonhos e aproveitar cada momento. Portanto, reflita: o que você quer ser quando envelhecer? A resposta a essa pergunta começa a ser construída hoje.

A gestão financeira pessoal e as classes sociais no Brasil

A preparação para a velhice é um tema que desperta preocupações em todas as esferas da sociedade. Nesse contexto, a gestão financeira pessoal emerge como uma ferramenta essencial para assegurar um futuro confortável e livre de preocupações. No entanto, a discussão desse assunto enfrenta desafios consideráveis, desde o risco de reforçar divisões de classes até a necessidade de incluir os mais pobres nesse processo de preparação.

Falar sobre gestão financeira pessoal e preparação para a velhice pode ser complexo devido a diversos fatores culturais e econômicos. Em muitas culturas, discutir abertamente questões financeiras é considerado tabu, o que leva a um silêncio enraizado em torno desses tópicos. Além disso, as preocupações financeiras podem evocar sentimentos de ansiedade e inadequação, levando as pessoas a evitarem tais conversas. A falta de educação financeira adequada também contribui para o desconforto na discussão, uma vez que muitos indivíduos não têm as ferramentas necessárias para abordar questões complexas de gestão financeira.

Ao discutir gestão financeira pessoal como preparação para a velhice, há um risco potencial de criar um discurso que ressalta divisões de classes. Muitas vezes, a literatura e os debates sobre o tema são focados em estratégias de investimento, planos de aposentadoria privados e outras opções disponíveis para aqueles que têm recursos financeiros consideráveis. Isso pode criar a percepção de que apenas os mais abastados têm a capacidade de se preparar adequadamente para a velhice, marginalizando assim os segmentos de baixa renda da sociedade.

Para garantir uma discussão equitativa e inclusiva sobre a gestão financeira pessoal como forma de preparação para a velhice, é essencial superar as barreiras que perpetuam o silêncio e a falta de educação financeira. Uma abordagem eficaz deve ser multifacetada e considerar:

1. Educação Financeira Acessível: Instituições educacionais, governamentais e organizações da sociedade civil devem investir em programas de educação financeira acessíveis a todas as classes sociais. Isso pode incluir cursos, workshops e recursos online que ensinem as pessoas a tomar decisões informadas sobre suas finanças.

2. Inclusão nas Políticas Públicas: Governos podem implementar políticas públicas que promovam a inclusão financeira, como oferecer serviços bancários acessíveis, incentivar a poupança para aposentadoria e estabelecer redes de segurança social robustas para os mais pobres.

3. Foco na Prevenção: A discussão sobre gestão financeira para a preparação da velhice deve ser centrada na prevenção, enfatizando a importância de começar cedo e economizar, independentemente do nível de renda. Isso ajuda a evitar uma mentalidade de que apenas investimentos complexos são viáveis.

4. Histórias de Sucesso Diversificadas: É vital compartilhar histórias de sucesso financeiro que sejam diversas em termos de origem socioeconômica. Isso ajuda a desfazer o estigma de que a preparação para a velhice é apenas para os privilegiados.

Outro ponto que impacta esse tema e é um desafio na sociedade é a dificuldade dos jovens em guardar dinheiro devido a várias pressões financeiras e sociais. Muitos jovens estão lidando com o pagamento de dívidas estudantis, altos custos de moradia e a pressão de se manterem atualizados com as últimas tendências de consumo. Nesse cenário, a tarefa de economizar para a aposentadoria pode parecer desafiadora e até mesmo inatingível. No entanto, é crucial explorar alternativas realistas para superar essa dificuldade e garantir um futuro financeiramente seguro.

Uma abordagem eficaz é adotar uma mentalidade de poupança gradual e consistente. Mesmo que o montante economizado pareça pequeno, começar cedo e estabelecer o hábito de guardar uma porcentagem do salário regularmente pode ter um impacto significativo ao longo do tempo.

Outra alternativa é explorar o poder das pequenas economias. Cortar despesas supérfluas, como gastos com entretenimento excessivo, refeições fora de casa e compras impulsivas, pode liberar recursos que podem ser redirecionados para investimentos a longo prazo. Além disso, aproveitar oportunidades de educação financeira oferecidas por instituições financeiras, organizações sem fins lucrativos e recursos online pode capacitar os jovens a tomarem melhores decisões sobre suas finanças.

Em última análise, enfrentar a dificuldade de guardar dinheiro enquanto jovem requer uma abordagem proativa, disciplina financeira e uma compreensão clara de que as pequenas ações de hoje podem ter um grande impacto no futuro. Ao buscar alternativas viáveis e estratégias de economia adaptadas à realidade de cada indivíduo, os jovens podem superar os obstáculos financeiros e trilhar o caminho para uma velhice segura e confortável.

A discussão da gestão financeira pessoal como uma forma de preparação para a velhice enfrenta obstáculos importantes, incluindo tabus culturais e o risco de aprofundar divisões de classes. No entanto, ao adotar abordagens inclusivas, como a promoção da educação financeira acessível e o foco na prevenção, é possível garantir que todos, independentemente de sua condição econômica, tenham as ferramentas necessárias para enfrentar a velhice com segurança e confiança financeira. A superação desses desafios é crucial para construir uma sociedade que valoriza e capacita todos os seus membros a planejar seu futuro com sabedoria.

Financiar a velhice é tarefa dos jovens

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 20 de julho de 2023

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/07/financiar-a-velhice-e-tarefa-dos-jovens.shtml

Planejamento exige reflexão pessoal e ações políticas para um país mais idoso

Vivemos em uma sociedade que deseja envelhecer, mas muitas pessoas não consideram a preparação para essa fase da vida. O envelhecimento é um processo natural e importante, e a forma como nos preparamos para essa fase pode determinar a qualidade de vida durante a velhice.

Comparar a realidade de uma pessoa que se preparou financeiramente com a de outra que não evidencia a importância do planejamento prévio ao longo da vida. Com o passar dos anos, diversos fatores, como declínio da saúde física, redução da energia e resistência, limitações sensoriais, aposentadoria forçada ou restrição das ofertas de trabalho devido ao etarismo comprometem a obtenção de renda.

preparação financeira para o envelhecimento deve ser um tema de extrema relevância na sociedade contemporânea, especialmente para os jovens. Com a expectativa de vida aumentando significativamente, a redução progressiva da natalidade e as pressões sobre a previdência, é fundamental ter um mínimo de planejamento para buscar uma vida relativamente confortável e segura na velhice.

Uma pessoa que se preparou financeiramente adotou medidas como poupança regular, investimentos e planejamento previdenciário. Mesmo que de forma mais modesta, é possível constituir alguma reserva para complementar uma eventual renda de aposentadoria, ampliando as chances futuras de maior autonomia.

Por outro lado, uma pessoa que não se preparou financeiramente para envelhecer está mais suscetível a enfrentar dificuldades na velhice. Sem uma reserva financeira adequada, poderá ter limitações significativas nas escolhas, dependência de familiares, restrições em relação aos serviços de saúde e impacto negativo na qualidade de vida.

Um estudo publicado em abril deste ano pelo Banco Mundial em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lista dez propostas de reformas de médio prazo para enfrentar os desafios da assistência social, do trabalho e da previdência nas próximas duas décadas. Uma dessas propostas é a expansão, reformulação e redirecionamento de programas ativos de mercado de trabalho.
Muitas pessoas não se preparam para a aposentadoria por falta de conhecimento sobre planejamento financeiro ou devido a prioridades de curto prazo que dificultam a gestão de recursos com objetivos futuros. Esse cenário pode gerar dependência de programas governamentais de assistência social, dificuldades para os familiares e comprometer a saúde.

É fundamental que as pessoas busquem conhecimento sobre educação financeira, estabeleçam metas de poupança, invistam em planos de previdência e pensem sobre seu futuro financeiro desde cedo. Essas medidas podem fazer a diferença entre uma velhice confortável e uma marcada por dificuldades e dependência.

No âmbito social, é necessário trabalhar na transformação cultural necessária para ampliar a contratação de pessoas mais velhas. Segundo o relatório da OCDE “Recomendações Sobre Políticas de Envelhecimento e Emprego”, de junho de 2022, é necessário fortalecer as oportunidades para que os trabalhadores construam carreiras mais longas e continuem trabalhando em idades mais avançadas. Isso pode ser alcançado por meio de incentivos financeiros para trabalhar por mais tempo e influência nas normas sociais sobre o trabalho tardio na carreira, transformando o comportamento de empregados e empregadores.

O assunto exige uma reflexão profunda e o engajamento político necessário para uma transformação da sociedade. Enquanto as políticas públicas não forem suficientes para garantir um padrão de vida mínimo para toda a população, o planejamento pessoal deverá ser estimulado. Sabe-se que, se o tema não é simples para quem tem condições de se preparar para o envelhecimento, imagine para quem vive com recursos escassos.

Mesmo àqueles que não tenham se preparado para essa fase da vida, sempre haverá a oportunidade de discutir o tema com filhos, netos e amigos, evitando que a negação à velhice e suas complexidades afetem as próximas gerações.

Gestão de Recursos

Quando pensamos em recursos, normalmente associamos o termo a equipamentos, pessoas ou dinheiro, elementos que são necessários para a execução de uma tarefa ou um projeto.

A gestão de recursos é uma das habilidades mais importantes que um indivíduo pode desenvolver, independentemente do seu setor de atuação ou posição hierárquica. Entre os recursos mais valiosos para a vida pessoal e profissional estão o dinheiro, o tempo e a energia.

Sempre que falamos em custos de um projeto, normalmente pensamos nos valores financeiros relacionados à execução das tarefas. Mas é importante considerar que, além do dinheiro poderá vir a ser empregado na jornada, qualquer atividade consome nosso tempo e nossa energia, recursos que não são repostos facilmente no caso do segundo e impossíveis de serem recuperados no primeiro. Afinal, tempo se gasta!

Gestão de dinheiro

O dinheiro é um recurso fundamental para a maioria das pessoas. Ele permite que se compre bens e serviços, pague contas, faça investimentos e alcance seus objetivos financeiros. No entanto, se não for bem gerenciado, pode levar a problemas financeiros, dívidas e estresse.

Devemos considerar como estamos empregando nossos recursos financeiros, seja na manutenção da vida ou na elaboração e execução dos projetos que nos transformam. O dinheiro empregado nesses projetos, muitas vezes conquistado com muito esforço (e comprometimento dos outros dois recursos) precisa ser empregado de forma inteligente na nossa vida. Preferencialmente, associado ao nosso propósito, garantindo o sentimento de empregarmos tal recurso de forma aderente aos valores que nos constituem.

Para uma gestão eficaz do dinheiro, comece por definir metas financeiras claras. Isso pode incluir a criação de um orçamento mensal, o estabelecimento de um fundo de emergência, a quitação de dívidas ou a economia para uma grande compra. Em seguida, avalie seus gastos e encontre maneiras de economizar dinheiro, como negociar contas, cancelar assinaturas desnecessárias ou procurar ofertas e promoções.

Também é importante desenvolver hábitos financeiros saudáveis, como poupar uma parte de sua renda buscando realizar projetos vinculados ao seu propósito de vida, evitar dívidas de alto juros, investir em uma carteira diversificada de ativos e evitar compras impulsivas. O acompanhamento regular das suas finanças e o ajuste do seu orçamento e planos financeiros também são essenciais para uma gestão eficaz do dinheiro.

Gestão de tempo

O tempo é um recurso escasso e precioso. Ele determina a quantidade de tempo que se tem para concluir tarefas, atingir objetivos e alcançar um equilíbrio saudável entre a vida profissional e pessoal. Uma gestão eficaz do tempo pode ajudar a aumentar a produtividade, reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

Uma das primeiras etapas na gestão eficaz do tempo é a identificação das suas prioridades. Isso envolve a definição de metas de curto e longo prazo e a organização de suas tarefas em ordem de importância. Também é importante reconhecer seus pontos fortes e limitações, e delegar tarefas sempre que possível.

O uso de ferramentas de gerenciamento de tempo, como agendas, listas de tarefas, cronogramas e lembretes, também pode ajudar a maximizar a eficiência. Além disso, evite distrações desnecessárias, como o uso excessivo de redes sociais, e tente evitar procrastinar tarefas importantes.

Gestão de energia

A energia é um recurso físico e mental que determina a sua capacidade de realizar tarefas e manter um estado de equilíbrio emocional. Se não for gerenciada corretamente, pode levar ao estresse e a problemas de saúde física e mental.

Uma das chaves para uma gestão eficaz da energia é o autocuidado. Isso pode incluir o estabelecimento de uma rotina de sono regular e de qualidade, a prática regular de atividade física e a alimentação saudável e equilibrada.

Observar onde coloco meus esforços, quais assuntos são realmente relevantes e merecem a minha atenção e como depender menos da opinião dos outros são aspectos importantes no processo de autoconhecimento e que nos ajudam a preservar nossa energia.

Acredito que vibramos o que sentimos. E sentimos o que pensamos. Por este motivo, é fundamental que prestemos atenção no que pensamos para não desperdiçarmos energia com nossas emoções.

Por fim, ao pensarmos nestes três recursos, devemos considerar como estamos lidando com nossas ações. Será que estamos simplesmente mantendo a vida ou elaborando e executando projetos que nos transformam? Aliás, qual o seu propósito mesmo?

Uma Vida que Funcione

Advice for the young at heart

Soon we will be older

When we gonna make it work?”

A música de 1989 do Tears for Fears para os “jovens de coração” lembra a todos que em breve seremos mais velhos e propõe uma questão àqueles que pretendem envelhecer. Até porque, a alternativa ao envelhecimento não é nada animadora. Mas, afinal, quando faremos a vida funcionar? E o que seria uma “vida que funciona”, como a aconselhada nos versos?

Uma possível resposta a essa questão pode estar da afirmação do psicanalista Contardo Calligaris, num trecho de uma palestra divulgada pela Revista Vida Simples em setembro de 2021, na qual o psicanalista, falecido em março do mesmo ano, declara que “o sentido da vida está na vida concreta, no que é vivido a cada dia”.

Viver a cada dia, contudo, não significa necessariamente viver ao sabor dos ventos, mas a partir da identificação de um norte que oriente o sujeito em seu cotidiano, permitindo que a vida ocorra no aqui e agora e conectada a uma perspectiva futura alinhada a objetivos definidos por desejos e necessidades. Em outras palavras, identificar “onde e como desejo chegar?” Buscar respostas a esta questão pode ser um caminho para estabelecer a jornada do envelhecimento de alguém, mesmo que a solução desse enigma seja algo complexo, imprevisível e sujeito a inúmeras transformações ao longo do caminho.

Neste sentido, pesquisar e estudar o processo de envelhecimento a partir da experiência daqueles que já viveram mais de 60 anos pode ajudar a significar as ações temporais e cotidianas das gerações mais novas, colaborando criticamente com o ato de envelhecer, permitindo que a chegada à senioridade não impacte a vida da pessoa de forma drástica e viabilizando algum conforto àqueles que se preparam para esse processo natural da vida, mesmo que sem garantias.

Entender como se sentem aqueles que já viveram boa parte da vida em relação ao que idealizaram, ou não, quando jovens, poderá ajudar a identificar aspectos que facilitem o processo de envelhecimento das gerações que ainda têm, supostamente, muito a viver.

A médica geriatra especializada em cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes, no livro “A morte é um dia que vale a pena viver” (2017) cita diversos relatos de pessoas que, ao chegarem ao final da jornada, percebem que deveriam ter “levado a vida” de outra forma. Como sensibilizar as pessoas mais jovens sobre esse fato muito antes dele ocorrer? Haveria aspectos de personalidade e capacidades cognitivas implicadas na forma de se escolher a forma de “levar a vida”?

Olhar para o futuro pode permitir que as escolhas possam ser realizadas a partir de perspectivas mais engajadas. A escolha do trabalho e da fonte de renda pode ser feita considerando-se aspectos além da garantia financeira. Essa escolha pode permitir autonomia e independência, seja nas fases da vida mais produtivas quanto no futuro, assim como pode estimular que a atividade humana seja uma forma de incluir-se no mundo em qualquer momento da vida. Olhar para a saúde, os relacionamentos e os estudos são outros aspectos que podem influenciar a manutenção do caminho do envelhecimento.

Além desses pontos, olhar criticamente para onde o mundo caminha é tão importante quanto garantir no trabalho escolhido uma fonte de prazer, status e experiência. Afinal, como será envelhecer numa sociedade onde a produção industrial e os serviços estão sendo transformados pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial, onde o aumento da produção opera na mesma intensidade da redução do emprego para as pessoas em idade ativa, afetando a todos e em qualquer momento da vida?

Profissões tradicionais já sofrem mudanças estruturais e carreiras inimagináveis atualmente serão criadas, transformando a relação com o trabalho e com o futuro. Como lidar com todas estas transformações e estar preparado para a vida após os 60 anos?

Acresça-se a esses aspectos as políticas públicas, que deverão ser adaptadas para garantir programas de envelhecimento ativo, manutenção do mercado de trabalho, saúde assistida, estímulo da autonomia e renda mínima para a população, além de uma revisão no modelo de previdência pública, já incapaz de atender às necessidades de uma população que envelhece em maior quantidade e por mais tempo. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), publicados em setembro de 2022, demonstram que a população brasileira está estimada em 212,7 milhões de pessoas (2021), sendo 14,7% (31,2 milhões) delas com 60 anos ou mais. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), esse número, no Brasil, será de 30% em 2050. Como será a velhice dessa população?

Os desafios são imensos, mas observamos pessoas que se prepararam para envelhecer enquanto outras não o fizeram. Estudar as características daqueles que se estruturaram financeira, comportamental e psicologicamente para essa fase da vida poderá ajudar na identificação de aspectos a serem trabalhados e estimulados junto às gerações mais novas.

Uma pesquisa interdisciplinar relacionada ao processo de envelhecer e a elaboração de material de pesquisa consistentes podem gerar recursos que provoquem nas pessoas uma reflexão que as auxilie no estabelecimento de estratégias pessoais associadas à saúde, carreira, relacionamentos, qualidade de vida, finanças ou lazer, assim como no suporte às políticas públicas relacionadas ao envelhecimento.

Questões precisam ser respondidas, tais como:

  • Como os idosos de hoje lidaram com o planejamento de suas vidas e se prepararam para o envelhecimento? Onde acertaram? E onde não?
  • Quais as características de personalidade e habilidades cognitivas daqueles que se prepararam para a vida após os 60 anos?
  • Como as tendências e mudanças tecnológicas impactam o envelhecimento?
  • O que os idosos recomendariam a si próprios caso pudessem enviar uma mensagem aos jovens que foram aos 25 anos?
  • Como idosos de países com IDH (índice de Desenvolvimento Humano) acima de 0,900 se preparam? (o Brasil ocupa a 87a posição no ranking entre 191 países, com o índice de 0,754);
  • Há diferenças nas políticas públicas de welfare state e conscientização sobre o envelhecimento nos países com IDH no topo da tabela?
  • Quais elementos precisarão estar no radar das pessoas durante o processos de envelhecer?

Espera-se que aqueles que queiram planejar de alguma forma seu futuro, apesar de toda a incerteza relacionada a esses planos, que atribuam ao presente uma ação consciente que lhes permita renunciar a alguns prazeres imediatos, mesmo que com algum custo, de forma a garantir um futuro em melhores condições.

Daniel Kahneman, psicólogo e professor universitário israelense radicado nos Estados Unidos, um dos fundadores da “economia comportamental” e o primeiro não-economista a receber o Nobel de Economia, em 2002, defende, no que chamou de “Teoria da Perspectiva”, que as pessoas são guiadas pelo “impacto emocional imediato de ganhos e perdas, não por perspectivas de longo prazo de riqueza e utilidade global”. No livro “Rápido e devagar: duas formas de pensar” (2011), Kahneman define como as pessoas decidem entre alternativas contrárias. Ele e o também psicólogo Amos Tversky desenvolveram uma análise, baseada na psicologia cognitiva, sobre como indivíduos escolhem entre alternativas que envolvem, direta ou indiretamente, probabilidades de resultados incertos.

Aplicando esta teoria à questão do envelhecimento, pode-se avaliar por qual razão seria importante para alguém reservar parte de seus ganhos no presente para ter uma vida mais tranquila no futuro, o conceito da previdência. Entenda-se por ganhos, neste caso, quaisquer aspectos relacionados a uma melhor condição de envelhecer. Seja na saúde, com a prática de exercícios físicos, check-ups periódicos e alimentação balanceada, na carreira, com o interesse pelo estudo continuado e adequação de habilidades que permitam a manutenção da empregabilidade e nas finanças, com o planejamento financeiro através de mecanismos de controle de gastos e manutenção de renda futura.

Uma vez que não há garantias de que viveremos o tempo que estimamos ou gostaríamos, por qual razão deixar de ter um prazer imediato em benefício de algum potencial conforto futuro? Não há resposta objetiva e segura a esta pergunta no presente, mas pesquisar qual a satisfação dos idosos hoje sobre terem escolhido, ou não, esse caminho, poderá iluminar as razões pelas quais jovens e pessoas de meia-idade possam desenvolver formas de pensar e planejar suas carreiras, finanças e saúde. A questão aqui é saber quem quer correr esse risco? Lembrando sempre que riscos são ameaças, mas também oportunidades.

Suas finanças e o 13º salário

Em geral, a chegada do final do ano traz angústia e preocupação aos empresários e alívio aos assalariados. De um lado, as despesas com o pagamento de décimo terceiro, férias – pior se forem coletivas –, e a perspectiva de redução nas vendas nos primeiros meses do ano seguinte preocupam os primeiros assim como a receita extra agrada aos segundos.

Em ambos os casos, a solução está no planejamento financeiro. No caso das empresas, a criação de uma provisão efetiva ao longo do ano, além daquela efetuada na contabilidade, garante que o fluxo de caixa não seja afetado com as despesas adicionais do final do exercício fiscal, resolvendo qualquer desequilíbrio de caixa. Uma consultoria especializada pode ajudar a equalizar esta questão e resolver o problema da gestão financeira, principalmente em empresas com produtos ou serviços que sofrem com a sazonalidade, em que as despesas certamente seguirão implacáveis e ocorrerão todos os meses, mas as receitas, nem sempre.

No caso dos assalariados, receber o décimo terceiro salário e as férias pode se tornar um evento com sentimentos ambivalentes no tempo. Inicialmente, um alívio, tanto para aqueles que têm dívidas acumuladas e podem usar a receita extra para quitá-las, quanto para os que não as têm, casos raros atualmente. Num segundo momento, pode ser uma angústia. Explico.

O risco está em utilizar inadequadamente a renda adicional e perceber, durante o período de festas ou de férias, que há mais tempo que dinheiro até o próximo crédito. Ao receber salário, décimo terceiro e férias em dezembro, o salário do mês seguinte só virá em meados de fevereiro, quase sessenta dias após ter recebido o líquido de férias. Aquela sensação boa de ter recebido muito dinheiro de uma vez será substituída pela angústia de perceber que o tempo é mais longo que as necessidades. Muitas vezes, é neste momento que novas dívidas se iniciam, com a resolução ocorrendo somente no final do ano, repetindo-se o ciclo aparentemente infindável de angústia e juros.

O segredo, qualquer que seja a sua situação, é pensar num prazo mais longo. Comece identificando todas as despesas que terá até que o próximo crédito de salário ocorra e reserve o valor necessário para quitá-las. A partir daí, pense em como gastar o que sobrar, caso sobre. Caso ainda falte, procure divertir-se em casa, com amigos próximos e em programas alternativos ou gratuitos. Use a criatividade. Geralmente é mais barato.

Pensando um pouco mais longe, para se ter muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender no ano que vai nascer, procure se organizar a partir de agora. Conheça, estime e acompanhe periodicamente suas receitas e despesas. Isto é essencial para qualquer planejamento, seja para a gestão financeira do dia a dia ou para atingir objetivos de médio ou longo prazos, como sair em viagem, permitir que você ou algum filho ou filha curse uma boa universidade, no Brasil ou no exterior, ou comprar um imóvel.

Deixar que receitas e, principalmente, despesas sigam sem acompanhamento e controle faz com que a perspectiva de um futuro financeiro fique à mercê da sorte. Conhecer e gerir sua vida financeira certamente permitirá ajustes ao longo do período e garantirá a geração de reserva para atingir seus planos.

Aliás, o planejamento financeiro só faz sentido se houver objetivos a se buscar. Trace metas que sejam significativas e as transforme em números para que os seus resultados sejam possíveis de mensuração e acompanhamento. Uma vez que dinheiro é um meio e não um fim, se não tivermos objetivos, para que teremos uma poupança? Será que a ausência de desejos realizáveis faz com que se poupe tão pouco neste país?

Previdência requer autonomia e educação

Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 3 de novembro de 2017: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/11/1932479-previdencia-requer-autonomia-e-educacao.shtml

A discussão sobre a reforma da previdência parte de premissas incompletas e que fazem com que o projeto em tramitação no Congresso, uma vez aprovado, tenha data de validade vencida.

O argumento sobre “a conta que não fecha” encontra razões facilmente mapeadas pelo IBGE, que projeta um crescimento até 2030 de 6,9% da população em idade ativa e de 70,6% dos cidadãos acima de 65 anos, provavelmente aposentados e com expectativa de vida acima de 75 anos.

O índice de desemprego, de cerca de 13,0%, deverá se manter por algum tempo, pois as empresas se ajustaram para trabalhar com um contingente reduzido de trabalhadores. Custa caro contratar e mais ainda demitir.

Outro aspecto delicado é que não há garantia alguma de que pessoas de 50 anos encontrem emprego e contribuam por mais quinze anos. As empresas não declaram, mas sabemos que há preconceito na contratação de pessoas acima de 50 anos.

Contudo, as pessoas a favor ou contra a reforma esquecem-se, inocente ou propositalmente, de um aspecto que tornará os números ainda mais cruéis. A produção industrial e os serviços estão sendo transformados pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial, aumentando a produção na mesma intensidade da redução do emprego para as pessoas em idade ativa, afetando todas as idades.

Precisamos nos preparar para trabalhar ao lado de sistemas, robôs e chatbots, não somente em atividades com mão de obra intensiva e rotinas repetitivas, mas em uma ampla gama de atividades ligadas aos serviços, tais como rotinas de advogados, médicos e professores. Profissões inimagináveis hoje serão criadas e a relação com o trabalho será transformada.

A saída para a previdência deverá passar por uma reforma tributária ampla, na qual a tecnologia que substituirá a mão de obra deverá colaborar na manutenção de pessoas sem empregos. O governo deverá administrar políticas públicas que garantam um programa de renda mínima para a população e o modelo atual de previdência pública deverá ser adaptado a um sistema misto e opcional.

Para prepararmos as próximas gerações, a escola precisará educar os jovens em temas como gestão financeira e empreendedorismo. Em um mundo com carência de empregos, a geração de renda poderá ser realizada por outros caminhos além da carteira assinada. As pessoas precisarão aprender a gerir seus recursos de forma independente, em uma atitude madura e responsável, cuidando cada um de sua própria previdência e se desvinculando dessa relação de dependência do governo. O mesmo vale para quem está no meio do caminho, independentemente da idade.

Outro caminho implicará na identificação de critérios que definam quem receberá ou não aposentadoria. A renda e o patrimônio das pessoas determinarão o quanto caberá a cada um. Quem tem mais receberá menos.

Ao final, para alguns não haverá nada a receber, pois não precisarão ou não terão feito essa opção. Para muitos a gestão pública da previdência será parte de toda a vida. Como garantir isso?

 

 

Confira os melhores investimentos para você garantir uma aposentadoria tranquila

| Cotidiano | Acritica.com | Amazônia – Amazonas – Manaus

Quais os caminhos para se aposentar mais cedo ou pelo menos investir num destino certo.

 

Aftersix na mídia:

http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/domingo-caminhos-para-uma-aposentadoria-segura