Brasil, terra de idosos

Nova realidade da população exige redesenho urbano, modelos de trabalhos flexíveis e suporte previdenciário

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 8 de setembro de 2024

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/09/brasil-terra-de-idosos.shtml

Reportagem publicada nesta Folha (“Idosos devem ser maior parcela da população em 2070, com quase 4 de cada 10 brasileiros”, 22/8) destaca o envelhecimento da população brasileira. Segundo projeções do IBGE, os brasileiros com 60 anos ou mais, que representavam 15,6% da população em 2023, serão incríveis 37,8% em 2070. Esse cenário pode soar catastrófico para alguns, mas ele também nos apresenta uma oportunidade única: a chance de transformar o Brasil em um país modelo de inclusão, acessibilidade e valorização das pessoas mais velhas. Mas o que devemos fazer?

Comecemos pelas cidades, que precisam ser redesenhadas para essa nova realidade. Calçadas devem ser acessíveis, transporte público adequado e assentos prioritários e em quantidade suficiente. Espaços públicos devem ser repensados, permitindo caminhadas, exercícios e socialização. As casas devem ser adaptadas, e as pessoas precisam estar preparadas para morar com seus amigos, num conceito mais próximo das “repúblicas de estudantes”, uma vez que as famílias encolheram. Além de acolhedor, será mais barato dividir o espaço com conhecidos.

A demanda por serviços de saúde aumentará, impactando tanto o SUS quanto a rede privada. Isso é óbvio. Mas o que também deveria ser óbvio é que o foco não deve estar apenas em curar doenças, mas em prevenir que elas aconteçam. A atenção primária e preventiva à saúde é essencial, através de programas de acompanhamento regular que incentivem o envelhecimento ativo, a prática de exercícios, dieta adequada e acompanhamento psicológico, incluindo programas e serviços que combatam a solidão e o isolamento social dos idosos.

O mercado de produtos e serviços terá novas oportunidades de negócios para um público de 40% da população. De commodities a pacotes de turismo e serviços de cuidados para idosos, o mercado precisará se reinventar.

Quanto ao emprego, as empresas devem começar a pensar em modelos de trabalho flexíveis, que permitam que pessoas mais velhas continuem ativas. Elas precisarão disso. E, para que tenham sucesso em suas jornadas, é necessário criar programas de educação continuada e de requalificação para quem desejar mudar de carreira.

Do ponto de vista financeiro, é urgente a necessidade de reavaliação e adaptação dos sistemas de Previdência, assim como incentivar a educação financeira e o planejamento para a aposentadoria desde cedo, preparando os indivíduos para a velhice e criando meios para oferecer suporte e recursos para as famílias que cuidam de seus idosos, incluindo assistência financeira do governo e serviços de apoio.

Tudo isso deve ser acompanhado de uma cultura de respeito aos mais idosos por meio de uma educação intergeracional que ajude a reduzir estigmas associados ao envelhecimento. Campanhas de conscientização, valorização das histórias de vida e da experiência dos idosos podem mudar a forma como a sociedade os vê.

O Brasil de 2070 pode parecer distante, mas as sementes desse futuro devem ser plantadas agora. Com as ações certas, garantiremos que esse crescimento na população idosa não seja um fardo, mas uma oportunidade de criar um país mais inclusivo, saudável e próspero para todos. Afinal, muitos de nós —com sorte— estaremos lá para ver isso acontecer.

Que tal começarmos já?

Quebrando barreiras etárias

Design de aplicativos para celular deve observar a inclusão de pessoas idosas

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 11 de junho de 2024

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/06/quebrando-barreiras-etarias.shtml

No mundo moderno, os smartphones se tornaram uma extensão indispensável de nossas vidas. No entanto, enquanto a tecnologia avança a passos largos, uma parte significativa da população muitas vezes fica para trás: as pessoas idosas, em especial as mais idosas, aquelas com mais de 80 anos. O etarismo, a discriminação baseada na idade, tem sido uma barreira persistente para que esse público utilize plenamente os benefícios da tecnologia, especialmente o uso de aplicativos de celular. Para combater essa discriminação e promover uma sociedade mais inclusiva, é fundamental que as empresas adotem abordagens mais centradas no usuário, incluindo essas pessoas em todo o processo de desenvolvimento de aplicativos.

A inclusão desse grupo no processo de design de aplicativos não é apenas uma questão de justiça social, mas também é uma decisão inteligente do ponto de vista de negócios. De acordo com o Censo do IBGE de 2022, a população acima dos 60 anos já passa dos 32 milhões de pessoas, um mercado potencialmente lucrativo que cresce a cada ano. Ao garantir que os aplicativos sejam acessíveis e fáceis de usar para pessoas idosas, as empresas podem melhorar sua reputação como empresas socialmente responsáveis, além de fomentar políticas de diversidade nas contratações.

Outro aspecto relevante é a riqueza de experiência e conhecimento, que podem ser diferenciais no processo de design, fornecendo insights valiosos sobre suas necessidades, preferências e desafios ao usar aplicativos. Ao incluir pessoas idosas desde as fases iniciais do desenvolvimento, as empresas podem identificar e corrigir problemas de usabilidade antes que os aplicativos sejam lançados, economizando tempo e dinheiro no longo prazo, além de facilitar a fidelização de clientes que, não raramente, se decepcionam com os serviços oferecidos.

O caso dos aplicativos bancários é um exemplo de descaso com clientes muitas vezes fiéis ao banco há mais de 50 anos. Os aplicativos são projetados sem levar em consideração as necessidades e habilidades específicas dos clientes idosos. A letra pequena, a complexidade da navegação e a falta de opções de acessibilidade são apenas algumas das barreiras que os clientes enfrentam ao tentar usar esses aplicativos. A ausência de representação de pessoas idosas nas equipes de desenvolvimento resulta em uma falta de compreensão de suas experiências e desafios únicos. O curioso é que os grandes bancos terminam por negligenciar o atendimento a clientes de longa data na esperança de atrair clientes jovens que desprezam seus serviços, em parte pela cobrança de tarifas hoje isentas em bancos digitais. Pessoas idosas nas bancadas de testes poderiam facilmente identificar problemas que passariam despercebidos por desenvolvedores mais jovens.

O etarismo nos aplicativos é uma questão séria que afeta a acessibilidade e a inclusão na sociedade digital. Soluções centradas efetivamente no cliente-usuário permitiriam criar produtos mais acessíveis e inclusivos para todos. Contratar pessoas idosas para trabalhar no design e teste de aplicativos não só é moralmente correto, mas também é uma decisão inteligente do ponto de vista dos negócios. Ao reconhecer e valorizar a contribuição das pessoas idosas, podemos criar um futuro mais inclusivo e acessível para todos.

Influenciadores digitais idosos como ferramenta de inclusão social

Espalhados pelas redes, oferecem oportunidades de conexão e aprendizado

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 11 de abril de 2024

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/04/influenciadores-digitais-idosos-como-ferramenta-de-inclusao-social.shtml

A economia dos criadores, ou “creator economy”, refere-se ao ecossistema financeiro e social construído em torno de pessoas que criam e compartilham conteúdo ou experiências através de plataformas digitais. Esses criadores monetizam sua paixão e seguidores por meio de anúncios, vendas de mercadorias e assinaturas, estabelecendo assim novos caminhos para o empreendedorismo e a inovação. A economia dos criadores destaca o poder da tecnologia em democratizar a produção de conteúdo, abrir novos caminhos para a expressão criativa e criar oportunidades de carreira fora das estruturas tradicionais, permitindo que qualquer pessoa com acesso à internet possa construir uma audiência e gerar renda a partir de sua criatividade e conhecimento. Esses benefícios têm um impacto significativo em todas as faixas etárias, mas podem ser especialmente relevantes para a população idosa. À medida que a tecnologia evolui, ela se torna uma ferramenta essencial para a inclusão social das pessoas mais velhas, oferecendo a esse público oportunidades para aprender, se engajar e contribuir para a sociedade de maneiras antes impensáveis.

Partindo-se de “um celular na mão e uma ideia na cabeça”, a versão revisada da frase de Glauber Rocha torna-se um recurso democrático e inclusivo para pessoas idosas que tenham algo interessante a dizer no TikTok, YouTube, Instagram ou mesmo na plataforma preferida dessa geração: o Facebook. Os influenciadores digitais mais velhos estão na vanguarda da promoção da inclusão tecnológica entre seus pares. Eles não apenas demonstram a viabilidade de se adaptar e prosperar financeiramente na era digital em qualquer idade, mas também oferecem orientação, inspiração e suporte para seus seguidores, idosos ou não, garantindo que, com sua experiência de vida e um rico repertório de conhecimentos, tragam uma perspectiva única para o mundo digital.

Tais influenciadores servem como modelos de identificação vitais, mostrando que é possível permanecer relevante e engajado através da tecnologia, independentemente da idade. Essas pessoas ajudam a desconstruir estereótipos relacionados ao envelhecimento ao destacar a continuidade do crescimento, aprendizado e contribuição social numa idade em que as oportunidades de trabalho formal ficam mais escassas. Os influenciadores digitais idosos frequentemente atuam como catalisadores para a formação de comunidades online, onde seus seguidores podem compartilhar experiências, desafios e sucessos. Essas comunidades oferecem suporte emocional, incentivam a troca de conhecimento e fortalecem o sentimento de pertencimento entre os idosos. Além disso, ao compartilharem suas próprias jornadas de aprendizado tecnológico, esses influenciadores incentivam seus seguidores a superarem barreiras de intimidação ou medo da tecnologia.

Apesar dos benefícios, a inclusão digital dos idosos enfrenta desafios, como a necessidade de dispositivos mais acessíveis, interfaces de usuário mais intuitivas e programas de educação digital adaptados às suas necessidades, facilitando a criação de conteúdo que viabilize o reconhecimento e a monetização. A integração da tecnologia na vida dos idosos é uma poderosa forma de inclusão, oferecendo-lhes novas oportunidades de conexão, aprendizado e engajamento. Os influenciadores digitais idosos desempenham um papel fundamental nesse processo, servindo como pontes entre a tecnologia e seus pares, ao mesmo tempo em que demonstram o potencial ilimitado para crescimento e descoberta em qualquer idade. À medida que a sociedade continua a evoluir com as tecnologias emergentes, a inclusão digital dos idosos permanece um aspecto essencial para garantir que ninguém fique para trás.

Contra etarismo no trabalho, idoso precisa de mente aberta e políticas públicas, diz especialista

Aftersix(ty) na mídia – Entrevista contida em matéria publicada na Folha de S.Paulo de 25 de fevereiro de 2024

Link: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/02/contra-etarismo-no-trabalho-idoso-precisa-de-mente-aberta-e-politicas-publicas-diz-especialista.shtml

“Quando você compra alguma coisa, você não compra com dinheiro, você compra com tempo de vida. Então como você está usando a sua vida?”

O questionamento vem de Edson Moraes, consultor de estratégias. Ele conversou com a repórter especial da Folha Teté Ribeiro para o segundo vídeo da série Como Ter Independência Financeira, que é publicado no YouTube neste domingo (25).

“Passar pela vida e não usufruir de algumas coisas só porque você está guardando muito dinheiro —e tem gente que tem essa característica— é tão cruel quanto você não guardar dinheiro ao longo da vida e chegar à velhice, olhar e falar: ‘Puxa, agora a coisa se complicou’”, diz Moraes.

Segundo ele, o brasileiro, culturalmente, pouco pensa em planejamento financeiro, que é visto “até com preconceito”.

Isso se torna ainda mais complexo tendo em vista o momento pelo qual a pirâmide etária brasileira passa.

A população está envelhecendo enquanto as taxas de natalidade diminuem cada vez mais. Isso cria novas demandas tanto para a Previdência Social quanto para o mercado de trabalho, que precisa passar a acolher mais idosos.

O Que Você Quer Ser Quando Envelhecer?*

A importância da gestão financeira, do tempo e da energia pessoal para um envelhecimento com qualidade

*Tomei este título emprestado da amiga Ana Ribeiro.

O processo de envelhecimento é inevitável e faz parte da jornada de todos nós. No entanto, a qualidade dessa fase da vida pode variar significativamente de pessoa para pessoa. Uma das chaves para envelhecer com uma melhor qualidade de vida está na preparação ao longo dos anos, não apenas no aspecto financeiro, mas também na gestão do tempo e na preservação da energia pessoal, temas já tratados neste blog (logo mais abaixo), mas que são essenciais para suportar um bom envelhecimento.

A gestão financeira ao longo da vida desempenha um papel crucial na determinação da qualidade do envelhecimento. Muitas pessoas subestimam a importância de economizar e investir durante os anos ativos, o que pode resultar em dificuldades financeiras ao envelhecer. Quando se trata do sustento, do desenvolvimento de projetos pessoais ou mesmo da preparação para emergências, ter uma reserva financeira sólida oferece tranquilidade, proporcionando a capacidade de enfrentar despesas médicas, manter um padrão de vida adequado e até mesmo realizar sonhos que foram adiados.

Para tanto, quanto mais cedo for possível pensar a respeito, mais fácil será o caminho. Deve-se criar um orçamento que seja seguido de forma disciplinada, estando também preparado para imprevistos, como oportunidades de negócios ou despesas inesperadas ao longo da vida.

Neste quesito, observar a carreira é fundamental. Como a maioria das pessoas necessitam trabalhar para seu sustento, refletir sobre a carreira e realizar mudanças e adequações ao longo da vida facilitam o processo de prazer com o trabalho, a gestão financeira e o planejamento para o futuro.

A gestão do tempo é outra dimensão essencial para envelhecer com qualidade de vida. Muitas pessoas subestimam a importância de priorizar o que realmente importa ao longo da vida e desperdiçam tempo precioso em atividades que não contribuem para o seu bem-estar a longo prazo. Envelhecer com qualidade significa aproveitar o tempo disponível para atividades que tragam satisfação pessoal, conexão com outras pessoas e contribuição para a comunidade.

Identificar prioridades e definir metas claras ajuda nesse processo, evitando desperdício de tempo em atividades sem significado. Procure cultivar relacionamentos interpessoais saudáveis e envolva-se em atividades voluntárias e de interesse pessoal que permitam a identificação de um propósito.

Por último, mas não menos importante, está a gestão da energia pessoal. Envelhecer com qualidade de vida requer um cuidado especial com a saúde física, mental e emocional. É fundamental adotar hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, exercícios regulares e práticas de relaxamento. Além disso, é crucial manter uma mente ativa, cultivar relacionamentos positivos e buscar apoio quando necessário.

Portanto, mantenha uma rotina de exercícios físicos e cuide da alimentação, cultive a espiritualidade e, se possível, medite. Priorize o sono adequado para a recuperação e o bem-estar e busque apoio emocional e mental quando necessário.

O processo de envelhecimento é uma jornada que pode ser enriquecedora e gratificante quando abordada com a devida atenção aos temas aqui apresentados. Ao se preparar ao longo da vida e cultivar hábitos saudáveis, você estará no caminho para envelhecer com dignidade, mantendo uma qualidade de vida que lhe permita realizar seus sonhos e aproveitar cada momento. Portanto, reflita: o que você quer ser quando envelhecer? A resposta a essa pergunta começa a ser construída hoje.

A gestão financeira pessoal e as classes sociais no Brasil

A preparação para a velhice é um tema que desperta preocupações em todas as esferas da sociedade. Nesse contexto, a gestão financeira pessoal emerge como uma ferramenta essencial para assegurar um futuro confortável e livre de preocupações. No entanto, a discussão desse assunto enfrenta desafios consideráveis, desde o risco de reforçar divisões de classes até a necessidade de incluir os mais pobres nesse processo de preparação.

Falar sobre gestão financeira pessoal e preparação para a velhice pode ser complexo devido a diversos fatores culturais e econômicos. Em muitas culturas, discutir abertamente questões financeiras é considerado tabu, o que leva a um silêncio enraizado em torno desses tópicos. Além disso, as preocupações financeiras podem evocar sentimentos de ansiedade e inadequação, levando as pessoas a evitarem tais conversas. A falta de educação financeira adequada também contribui para o desconforto na discussão, uma vez que muitos indivíduos não têm as ferramentas necessárias para abordar questões complexas de gestão financeira.

Ao discutir gestão financeira pessoal como preparação para a velhice, há um risco potencial de criar um discurso que ressalta divisões de classes. Muitas vezes, a literatura e os debates sobre o tema são focados em estratégias de investimento, planos de aposentadoria privados e outras opções disponíveis para aqueles que têm recursos financeiros consideráveis. Isso pode criar a percepção de que apenas os mais abastados têm a capacidade de se preparar adequadamente para a velhice, marginalizando assim os segmentos de baixa renda da sociedade.

Para garantir uma discussão equitativa e inclusiva sobre a gestão financeira pessoal como forma de preparação para a velhice, é essencial superar as barreiras que perpetuam o silêncio e a falta de educação financeira. Uma abordagem eficaz deve ser multifacetada e considerar:

1. Educação Financeira Acessível: Instituições educacionais, governamentais e organizações da sociedade civil devem investir em programas de educação financeira acessíveis a todas as classes sociais. Isso pode incluir cursos, workshops e recursos online que ensinem as pessoas a tomar decisões informadas sobre suas finanças.

2. Inclusão nas Políticas Públicas: Governos podem implementar políticas públicas que promovam a inclusão financeira, como oferecer serviços bancários acessíveis, incentivar a poupança para aposentadoria e estabelecer redes de segurança social robustas para os mais pobres.

3. Foco na Prevenção: A discussão sobre gestão financeira para a preparação da velhice deve ser centrada na prevenção, enfatizando a importância de começar cedo e economizar, independentemente do nível de renda. Isso ajuda a evitar uma mentalidade de que apenas investimentos complexos são viáveis.

4. Histórias de Sucesso Diversificadas: É vital compartilhar histórias de sucesso financeiro que sejam diversas em termos de origem socioeconômica. Isso ajuda a desfazer o estigma de que a preparação para a velhice é apenas para os privilegiados.

Outro ponto que impacta esse tema e é um desafio na sociedade é a dificuldade dos jovens em guardar dinheiro devido a várias pressões financeiras e sociais. Muitos jovens estão lidando com o pagamento de dívidas estudantis, altos custos de moradia e a pressão de se manterem atualizados com as últimas tendências de consumo. Nesse cenário, a tarefa de economizar para a aposentadoria pode parecer desafiadora e até mesmo inatingível. No entanto, é crucial explorar alternativas realistas para superar essa dificuldade e garantir um futuro financeiramente seguro.

Uma abordagem eficaz é adotar uma mentalidade de poupança gradual e consistente. Mesmo que o montante economizado pareça pequeno, começar cedo e estabelecer o hábito de guardar uma porcentagem do salário regularmente pode ter um impacto significativo ao longo do tempo.

Outra alternativa é explorar o poder das pequenas economias. Cortar despesas supérfluas, como gastos com entretenimento excessivo, refeições fora de casa e compras impulsivas, pode liberar recursos que podem ser redirecionados para investimentos a longo prazo. Além disso, aproveitar oportunidades de educação financeira oferecidas por instituições financeiras, organizações sem fins lucrativos e recursos online pode capacitar os jovens a tomarem melhores decisões sobre suas finanças.

Em última análise, enfrentar a dificuldade de guardar dinheiro enquanto jovem requer uma abordagem proativa, disciplina financeira e uma compreensão clara de que as pequenas ações de hoje podem ter um grande impacto no futuro. Ao buscar alternativas viáveis e estratégias de economia adaptadas à realidade de cada indivíduo, os jovens podem superar os obstáculos financeiros e trilhar o caminho para uma velhice segura e confortável.

A discussão da gestão financeira pessoal como uma forma de preparação para a velhice enfrenta obstáculos importantes, incluindo tabus culturais e o risco de aprofundar divisões de classes. No entanto, ao adotar abordagens inclusivas, como a promoção da educação financeira acessível e o foco na prevenção, é possível garantir que todos, independentemente de sua condição econômica, tenham as ferramentas necessárias para enfrentar a velhice com segurança e confiança financeira. A superação desses desafios é crucial para construir uma sociedade que valoriza e capacita todos os seus membros a planejar seu futuro com sabedoria.

Financiar a velhice é tarefa dos jovens

Aftersix(ty) na mídia – Artigo Publicado na Folha de S.Paulo de 20 de julho de 2023

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/07/financiar-a-velhice-e-tarefa-dos-jovens.shtml

Planejamento exige reflexão pessoal e ações políticas para um país mais idoso

Vivemos em uma sociedade que deseja envelhecer, mas muitas pessoas não consideram a preparação para essa fase da vida. O envelhecimento é um processo natural e importante, e a forma como nos preparamos para essa fase pode determinar a qualidade de vida durante a velhice.

Comparar a realidade de uma pessoa que se preparou financeiramente com a de outra que não evidencia a importância do planejamento prévio ao longo da vida. Com o passar dos anos, diversos fatores, como declínio da saúde física, redução da energia e resistência, limitações sensoriais, aposentadoria forçada ou restrição das ofertas de trabalho devido ao etarismo comprometem a obtenção de renda.

preparação financeira para o envelhecimento deve ser um tema de extrema relevância na sociedade contemporânea, especialmente para os jovens. Com a expectativa de vida aumentando significativamente, a redução progressiva da natalidade e as pressões sobre a previdência, é fundamental ter um mínimo de planejamento para buscar uma vida relativamente confortável e segura na velhice.

Uma pessoa que se preparou financeiramente adotou medidas como poupança regular, investimentos e planejamento previdenciário. Mesmo que de forma mais modesta, é possível constituir alguma reserva para complementar uma eventual renda de aposentadoria, ampliando as chances futuras de maior autonomia.

Por outro lado, uma pessoa que não se preparou financeiramente para envelhecer está mais suscetível a enfrentar dificuldades na velhice. Sem uma reserva financeira adequada, poderá ter limitações significativas nas escolhas, dependência de familiares, restrições em relação aos serviços de saúde e impacto negativo na qualidade de vida.

Um estudo publicado em abril deste ano pelo Banco Mundial em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lista dez propostas de reformas de médio prazo para enfrentar os desafios da assistência social, do trabalho e da previdência nas próximas duas décadas. Uma dessas propostas é a expansão, reformulação e redirecionamento de programas ativos de mercado de trabalho.
Muitas pessoas não se preparam para a aposentadoria por falta de conhecimento sobre planejamento financeiro ou devido a prioridades de curto prazo que dificultam a gestão de recursos com objetivos futuros. Esse cenário pode gerar dependência de programas governamentais de assistência social, dificuldades para os familiares e comprometer a saúde.

É fundamental que as pessoas busquem conhecimento sobre educação financeira, estabeleçam metas de poupança, invistam em planos de previdência e pensem sobre seu futuro financeiro desde cedo. Essas medidas podem fazer a diferença entre uma velhice confortável e uma marcada por dificuldades e dependência.

No âmbito social, é necessário trabalhar na transformação cultural necessária para ampliar a contratação de pessoas mais velhas. Segundo o relatório da OCDE “Recomendações Sobre Políticas de Envelhecimento e Emprego”, de junho de 2022, é necessário fortalecer as oportunidades para que os trabalhadores construam carreiras mais longas e continuem trabalhando em idades mais avançadas. Isso pode ser alcançado por meio de incentivos financeiros para trabalhar por mais tempo e influência nas normas sociais sobre o trabalho tardio na carreira, transformando o comportamento de empregados e empregadores.

O assunto exige uma reflexão profunda e o engajamento político necessário para uma transformação da sociedade. Enquanto as políticas públicas não forem suficientes para garantir um padrão de vida mínimo para toda a população, o planejamento pessoal deverá ser estimulado. Sabe-se que, se o tema não é simples para quem tem condições de se preparar para o envelhecimento, imagine para quem vive com recursos escassos.

Mesmo àqueles que não tenham se preparado para essa fase da vida, sempre haverá a oportunidade de discutir o tema com filhos, netos e amigos, evitando que a negação à velhice e suas complexidades afetem as próximas gerações.

A empregabilidade após os 50

De acordo com o estudo Mercado de Trabalho 50+, elaborado pelo Instituto de Longevidade MAG e publicado em matéria divulgada pelo site da CNN no final do ano passado, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2022 demonstram que, enquanto o índice total de desemprego no Brasil era de 9,3%, entre as pessoas com mais de 50 anos esse índice era de 5,2%.

Essa tendência do índice de desemprego da faixa dos 50+ ser menor que a da população geral também pode ser observada em outros países. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a taxa de emprego para pessoas com mais de 55 anos caiu em quase todos os países membros entre 2007 e 2017.

Mesmo se considerarmos a aposentadoria como uma fator que afasta as pessoas do mercado de trabalho, uma vez que pessoas mais velhas podem optar por se aposentar em vez de continuar trabalhando, fica a pergunta: – Por qual razão é tão mais difícil encontrar trabalho quando se envelhece?

Dentre os vários fatores que podem influenciar a dificuldade de recolocação de pessoas com mais de 50 anos, algumas das principais causas são endógenas e incluem:

  1. A falta de atualização profissional: Muitas vezes, os trabalhadores mais velhos podem não ter habilidades atualizadas ou treinamento necessário para as posições atuais no mercado de trabalho, o que pode tornar mais difícil para eles encontrar emprego;
  2. A expectativa de continuar fazendo o que sempre fez e da mesma maneira: Buscar uma atividade após os 50 requer adaptar-se às ofertas disponíveis no mercado, tanto do ponto de vista da posição a ser ocupada quanto da forma como o vínculo de trabalho será estabelecido. Ter sido empregado no regime CLT no passado pode não ser mais uma opção, enquanto a constituição de uma empresa ou os serviços autônomos podem ser soluções que viabilizem o vínculo com quem tem trabalho a ofertar; e
  3. A saúde: A saúde pode ser um fator importante no emprego, especialmente para trabalhos mais exigentes fisicamente. À medida que as pessoas envelhecem, podem ter mais problemas de saúde que dificultam a realização de certas tarefas, tornando mais difícil encontrar emprego.

A solução para os pontos acima começa pela disposição em perceber que o mundo e a vida mudaram, sem que isso seja um problema. Ao contrário, as mudanças devem ser encaradas como desafios importantes e um estímulo para a atualização e adaptação na forma como cada um se apresenta ao mundo.

Fatores externos também influenciam a dificuldade na obtenção de um trabalho, como:

  1. A discriminação etária é um fator que afeta o mundo. Muitos empregadores podem ter preconceito contra trabalhadores mais velhos e preferem contratar pessoas mais jovens, levando trabalhadores mais velhos a se ausentarem do mercado. Isso pode ser resultado de estereótipos que associam idade a problemas de saúde, falta de energia e resistência física. Mas será que trabalhadores mais velhos muitas vezes têm mais experiência e habilidades, o que pode torná-los mais produtivos do que os trabalhadores mais jovens?
  2. Também existe a preocupação de que os trabalhadores mais velhos não estejam dispostos a se adaptar a novas formas de trabalhar, como trabalhar remotamente ou adaptarem-se às novas tecnologias. No entanto, a pandemia da COVID-19 mostrou que muitos trabalhadores mais velhos foram capazes de trabalhar de forma eficaz em casa, e alguns até passaram a preferir essa opção. Além disso, a flexibilidade e adaptabilidade são habilidades que muitos trabalhadores mais velhos desenvolveram ao longo de suas carreiras, e eles podem estar dispostos a aprender novas habilidades se tiverem a oportunidade.
  3. Por fim, existe a preocupação de que os trabalhadores mais velhos tenham salários mais altos do que os mais jovens, o que pode torná-los menos atraentes para os empregadores. Mas será que a produtividade e a experiência dos trabalhadores mais velhos não compensam eventuais custos adicionais?

Ainda há muito a ser feito para tornar a empregabilidade após os 50 anos algo natural no dia a dia das pessoas e do mercado. Isso inclui a necessidade de mudar a cultura empresarial para valorizar a experiência e as habilidades dos trabalhadores mais velhos e proporcionar oportunidades de formação e desenvolvimento dos profissionais para mantê-los competitivos no mercado de trabalho.

Gestão de Recursos

Quando pensamos em recursos, normalmente associamos o termo a equipamentos, pessoas ou dinheiro, elementos que são necessários para a execução de uma tarefa ou um projeto.

A gestão de recursos é uma das habilidades mais importantes que um indivíduo pode desenvolver, independentemente do seu setor de atuação ou posição hierárquica. Entre os recursos mais valiosos para a vida pessoal e profissional estão o dinheiro, o tempo e a energia.

Sempre que falamos em custos de um projeto, normalmente pensamos nos valores financeiros relacionados à execução das tarefas. Mas é importante considerar que, além do dinheiro poderá vir a ser empregado na jornada, qualquer atividade consome nosso tempo e nossa energia, recursos que não são repostos facilmente no caso do segundo e impossíveis de serem recuperados no primeiro. Afinal, tempo se gasta!

Gestão de dinheiro

O dinheiro é um recurso fundamental para a maioria das pessoas. Ele permite que se compre bens e serviços, pague contas, faça investimentos e alcance seus objetivos financeiros. No entanto, se não for bem gerenciado, pode levar a problemas financeiros, dívidas e estresse.

Devemos considerar como estamos empregando nossos recursos financeiros, seja na manutenção da vida ou na elaboração e execução dos projetos que nos transformam. O dinheiro empregado nesses projetos, muitas vezes conquistado com muito esforço (e comprometimento dos outros dois recursos) precisa ser empregado de forma inteligente na nossa vida. Preferencialmente, associado ao nosso propósito, garantindo o sentimento de empregarmos tal recurso de forma aderente aos valores que nos constituem.

Para uma gestão eficaz do dinheiro, comece por definir metas financeiras claras. Isso pode incluir a criação de um orçamento mensal, o estabelecimento de um fundo de emergência, a quitação de dívidas ou a economia para uma grande compra. Em seguida, avalie seus gastos e encontre maneiras de economizar dinheiro, como negociar contas, cancelar assinaturas desnecessárias ou procurar ofertas e promoções.

Também é importante desenvolver hábitos financeiros saudáveis, como poupar uma parte de sua renda buscando realizar projetos vinculados ao seu propósito de vida, evitar dívidas de alto juros, investir em uma carteira diversificada de ativos e evitar compras impulsivas. O acompanhamento regular das suas finanças e o ajuste do seu orçamento e planos financeiros também são essenciais para uma gestão eficaz do dinheiro.

Gestão de tempo

O tempo é um recurso escasso e precioso. Ele determina a quantidade de tempo que se tem para concluir tarefas, atingir objetivos e alcançar um equilíbrio saudável entre a vida profissional e pessoal. Uma gestão eficaz do tempo pode ajudar a aumentar a produtividade, reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

Uma das primeiras etapas na gestão eficaz do tempo é a identificação das suas prioridades. Isso envolve a definição de metas de curto e longo prazo e a organização de suas tarefas em ordem de importância. Também é importante reconhecer seus pontos fortes e limitações, e delegar tarefas sempre que possível.

O uso de ferramentas de gerenciamento de tempo, como agendas, listas de tarefas, cronogramas e lembretes, também pode ajudar a maximizar a eficiência. Além disso, evite distrações desnecessárias, como o uso excessivo de redes sociais, e tente evitar procrastinar tarefas importantes.

Gestão de energia

A energia é um recurso físico e mental que determina a sua capacidade de realizar tarefas e manter um estado de equilíbrio emocional. Se não for gerenciada corretamente, pode levar ao estresse e a problemas de saúde física e mental.

Uma das chaves para uma gestão eficaz da energia é o autocuidado. Isso pode incluir o estabelecimento de uma rotina de sono regular e de qualidade, a prática regular de atividade física e a alimentação saudável e equilibrada.

Observar onde coloco meus esforços, quais assuntos são realmente relevantes e merecem a minha atenção e como depender menos da opinião dos outros são aspectos importantes no processo de autoconhecimento e que nos ajudam a preservar nossa energia.

Acredito que vibramos o que sentimos. E sentimos o que pensamos. Por este motivo, é fundamental que prestemos atenção no que pensamos para não desperdiçarmos energia com nossas emoções.

Por fim, ao pensarmos nestes três recursos, devemos considerar como estamos lidando com nossas ações. Será que estamos simplesmente mantendo a vida ou elaborando e executando projetos que nos transformam? Aliás, qual o seu propósito mesmo?