Carreira

Networking. Afinal, o que é e como fazer?

O desemprego, que sempre assustou a maioria dos profissionais, se torna aterrorizante em momentos de crise econômica. E, raramente, nos preparamos para momentos de transição na carreira. Se muitas vezes é difícil pedir demissão ao conseguir outro emprego, o que dizer daquele momento em que a decisão do rompimento contratual foi uma deliberação do empregador, restando na sensação de surpresa indesejada, vazio e falta de chão?

Muitas vezes, é somente nesse momento que percebemos o quanto ficamos distantes do mercado e das pessoas, afundados nas tarefas cotidianas e acreditando que isto bastaria para mantermos uma segurança inexistente e uma estabilidade impossível no mundo corporativo, ao menos para aqueles que optaram pela carreira em empresas privadas.

Até mesmo os empreendedores ficam mergulhados nas atividades necessárias para manter sua empresa em operação e se esquecem de manter sua rede de relacionamentos ativa.

Pois é, a rede de relacionamentos, mais conhecida como networking, que garantirá, na maioria das vezes, um novo ciclo na carreira, seja emprego, projeto, consultoria, cliente ou mesmo atividade voluntária.

Mas como manter aberto esse canal com o mundo quando nos permitimos ficar enclausurados na atividade da vez, seja esta qual for?

Antes de qualquer coisa, networking deve ser entendido como uma forma de se conectar ao mundo, ao mesmo tempo em que é uma forma de se perceber no mundo, uma vez que nada daquilo que fazemos pode ser executado sem alguma ajuda, explícita ou implícita, de alguém. Não somos sozinhos no universo. Como se diz no budismo: intersomos.

Mesmo para quem pretenda viver solitariamente, será necessário um lugar para morar, que foi construído por alguém, comida para se alimentar, que tenha sido plantada, colhida, transportada e vendida por “vários alguéns”, além de toda uma série de produtos e serviços necessários para a sobrevivência.

E neste interser devemos perceber o outro como uma extensão de nossas capacidades e necessidades, de forma a nos colocarmos à disposição, da mesma forma que um dia poderemos precisar do auxílio de alguém próximo para desempenhar alguma atividade.

O networking começa na família, passa pelos amigos próximos, por pessoas com as quais mantivemos algum contato, com quem tenhamos estudado ou trabalhado em algum momento da vida e, até mesmo, por aquelas com as quais eventualmente trocamos cartões e poucas palavras.

O segredo está na manutenção destes contatos, o que requer muito cuidado, pois isso poderá ser importante em um momento de reposicionamento no mercado, na busca de uma nova colocação, na oferta de serviços ou na estruturação de uma empresa.

Não há momento certo para se praticar o networking. Estejamos empregados ou procurando alguma atividade, a prática deve ser a mesma, pois será importante em qualquer circunstância. Seja buscando alguma satisfação pessoal, como uma dica de viagem; fazendo uma transição na carreira, divulgando para a rede pessoal que deseja mudar de atividade ou empresa; solucionando problemas no dia a dia do trabalho; compartilhando com colegas de profissão, mesmo que em outras empresas, um problema que se está enfrentando com um fornecedor ou produto; ou procurando conhecer novas pessoas. Não importa, o networking servirá como um grande instrumento para atingirmos os objetivos.

Para quem ainda se sente tímido para começar sua rede de relacionamentos, saiba que nunca é tarde para retomar ou iniciar essa prática.

Comece pelos contatos mais próximos, família e amigos, e siga ampliando sua rede de forma disciplinada. Ofereça sempre algo, pois o networking começa quando colaboramos com alguém – e não o contrário –, conduza as relações de forma genuína, respeite sempre a agenda do outro, torne o processo lúdico e, o mais importante, mantenha a sua rede de relacionamentos viva.

Mensagens por aplicativos e redes sociais, ligações telefônicas periódicas, convites para cafés, almoços, happy hours e jantares, sempre de forma descompromissada e sem interesses implícitos, farão com que sua rede siga forte e divertida. Afinal, é sempre prazeroso passar algum tempo de forma despretensiosa em companhia de pessoas inteligentes e simpáticas. O benefício poderá vir depois, na medida em que cada um doe a sua parte na relação.

Afinal, intersomos.

Padrão
Finanças Pessoais, Planejamento

Que tal usar o FGTS para rever a sua visão sobre finanças pessoais?

A liberação dos saldos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) certamente trará um alívio às dívidas de muita gente.

Desde meados de fevereiro, mais de R$ 43 bilhões podem ser sacados nas agências da Caixa Econômica Federal por mais de 30 milhões de trabalhadores que solicitaram demissão voluntariamente ou foram demitidos por justa causa até dezembro de 2015.

Para aqueles que possuem essas contas inativas e que sacarão sua parte, o que fazer com esse dinheiro, que chegou de forma tão inesperada?

Em primeiro lugar, sem pensar muito, quite as dívidas com juros altos ou que estejam complicando o seu bolso. Não faz sentido manter uma dívida em cartão de crédito, cheque especial, empréstimos diversos ou prestações atrasadas de algum financiamento e sair gastando esse dinheiro que chegou de repente. Elimine ou reduza suas dívidas e deixe de pagar juros absurdos.

Quanto às dívidas de longo prazo, como financiamentos de imóveis ou outros bens duráveis, não se preocupe em quitá-las ou amortizá-las. Geralmente estas dívidas estão atreladas a juros específicos, mas baixos, e que cabem no orçamento doméstico. Não faz sentido  quitar uma dívida de longo prazo quando existem necessidades prementes ou dívidas mais caras que requerem uma ação imediata. No Brasil, as pessoas querem quitar sua casa o mais rápido possível. Mas devemos sempre pensar qual o benefício desta atitude. E se mantivermos a prestação como está e usarmos o dinheiro da quitação em outros investimentos? Claro, se for para gastar em supérfluos, abata a dívida. Caso contrário, deixe a prestação como está e use o dinheiro de forma mais inteligente. Nos países desenvolvidos, uma hipoteca é algo para a vida toda.

Caso não haja nenhuma dívida, procure investir uma parte do valor recebido e sinta-se livre para gastar o que sobrar em alguma coisa que necessite ou que lhe dê prazer.

Aliás, um dos objetivos da equipe econômica ao liberar o montante bloqueado do FGTS é colaborar com a retomada da economia, uma vez que a nossa condição macroeconômica necessita do crescimento do consumo como uma forma de gerar renda e aumentar o nível de emprego da população. Contudo, a eficácia desta medida é questionável, uma vez que não há garantia alguma de que os níveis de emprego venham a melhorar com a injeção de capital na economia. É sabido que as empresas ajustaram seus organogramas para a crise atual e não contratarão até que os sinais de crescimento estejam muito evidentes.

Por conta desta indefinição da retomada econômica, com o que sobrar após quitar suas dívidas caras e comprar algum presente, procure compor ou ampliar suas reservas financeiras.

Para identificar qual o valor adequado para poupar, considere todas as suas despesas mensais, incluindo aquelas que não são tão aparentes, como lanches, cafés, cinema e demais despesas que normalmente não consideramos quando listamos nossas despesas. Minha experiência como assessor de finanças pessoais indica que cerca de 30% das despesas mensais não são claramente definidas ou identificadas pelas pessoas. Ou seja, caso você gaste 10 com todas as suas despesas, normalmente só considera 7 como efetivo, pois neste valor estão as despesas explícitas, como aluguel ou prestação de imóvel, escola, supermercado, celular, TV paga, plano de saúde e demais despesas mapeáveis. Contudo, o que nos causa muita dor de cabeça e desestabiliza nossas finanças são as demais despesas, não percebidas como relevantes. Não se esqueça, portanto, de considerá-las no levantamento de despesas.

Tendo mapeado seus gastos, identifique o que é essencial daquilo que pode ser considerado supérfluo. Mas não corte todas as despesas com lazer. Um cineminha a cada quinze dias, ou algo equivalente,  é essencial, mesmo em períodos de vacas magras.

Após identificar os itens essenciais, multiplique o valor por doze. Pronto, este é o montante que você deverá considerar como reserva emergencial. Em outras palavras, é o quanto você e sua família precisarão para viver um ano sem atropelos, caso venha a ficar desempregado. Podemos chamar isto de volume morto, numa alusão à seca experimentada pela região Sudeste há poucos anos. O que for poupado além deste valor poderá ser considerado como reserva para gastos específicos, como viagens, presentes, automóveis, imóveis ou o que mais desejar.

Aproveite a oportunidade que o FGTS poderá lhe dar para rever seus gastos, adequar seus investimentos e ter uma vida mais tranquila.

Boa sorte!

 

Padrão
Carreira, Coaching

“E você, o que ama fazer?” – O coaching como meio

Há alguns anos, ao acessar um site que se chamava “Open The Job”, me deparei com a pergunta que serve de título a este artigo. Hoje, após vasculhar um pouco na internet, descubro que o site não existe mais.

A ideia era interessante, e me pergunto se quem criou o site descobriu que não amava mais aquele trabalho. Caso esta hipótese esteja correta, espero que tenha encontrado algo para fazer que realmente ame. O que houve pouco importa. O que vale é que a pergunta continua suficientemente forte. A ponto de me fazer recordar daquela experiência, depois de vários anos.

Gostaria de saber o que as pessoas respondem a esta pergunta. Eu respondi, ainda naquela na época, que amava meditar. Coisa de zen budista. A meditação nos ajuda a (tentar) estar continuamente presente naquilo que se faz, amando ou não aquele momento. Hoje, reafirmo a resposta e adiciono uma outra atividade: trabalhar com pessoas apoiando o seu desenvolvimento.

Àqueles que não têm certeza sobre o que dizer, buscar uma resposta para esta pergunta pode ser um excelente mote para o início de um processo de coaching, desde que conduzido por um profissional (coach) qualificado. Um coach que preza o seu ofício é um perguntador por excelência. Mais do que isto, um provocador.

Coaching é um processo pragmático de desenvolvimento de competências que busca estimular maneiras de se observar uma situação, identificar as dificuldades e limitações ao empregar suas competências. Procura encorajar o cliente a enfrentar suas dúvidas e medos e superar as resistências internas que dificultam a realização de mudanças. Suporta a criação de planos de ações exequíveis para que objetivos sejam atingidos. Enfim, uma forma diferente de crescer e progredir.

A dinâmica do coaching é uma boa maneira para desenvolver os chamados “soft skills” (habilidades sutis, numa tradução tupiniquim, tais como autoconfiança, liderança e capacidade de trabalho em equipe), uma vez que os “hard skills” (conhecimentos técnicos) podem ser obtidos nos bancos escolares ou na observação da execução de algo por outras pessoas.

O processo de coaching é sempre desafiador para quem o realiza, pois o coach irá questionar o cliente (também chamado de coachee ou performer) sobre inúmeros temas. Além da pergunta inicial, questões como “o que você quer para a sua vida?”, “qual o seu propósito?”, “o que você sempre sonhou fazer e ainda não fez?” fazem parte do processo, que busca o autoconhecimento do cliente.

Coaching é somente para quem deseja, efetivamente, transformar a forma de se relacionar com desafios, necessidades e desejos, uma vez que os insights percebidos ao longo do processo certamente transformarão a vida do cliente e seu caminho, além de ajudar a identificar uma resposta legítima para a questão título.

Como coach, tenho recebido profissionais de diversas áreas, mas todos com objetivos relacionados a aspectos da relação com o trabalho, da busca de satisfação pessoal, do prazer no desenvolvimento de alguma atividade, do desenvolvimento de um negócio ou da obtenção de melhores resultados financeiros. Enfim, uma forma de se reconhecer e se engajar na realização de sua obra.

O processo de coaching ajudará àqueles que queiram, verdadeiramente, responder à pergunta “e você, o que ama fazer?”. Mais do que isto, ajudará a qualquer um de nós descobrir que amamos fazer inúmeras coisas, simultaneamente, sem que umas sejam melhores ou mais importantes do que outras.

Padrão